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Ser exorcista: uma missão de risco espiritual

Miriam Diez Bosch - publicado em 01/11/20

A Aleteia entrevistou o exorcista oficial da arquidiocese de Barcelona e tirou todas as dúvidas dos leitores

Chego à entrevista com o exorcista às cinco, pontual. Ao entrar no seu escritório, fico impactada ao pensar que esse lugar recebe todos os dias 5 pessoas com possessão demoníaca. Eu me sento onde essas pessoas costumam se sentar. Gente angustiada, com vontade de se suicidar, desesperada.

O Pe. Gallego as escuta e diagnostica. Reza. E, se percebe que se trata de influência ou possessão, faz o exorcismo – que nem sempre dá resultado na primeira sessão. Em 50% dos casos, trata-se de possessão ou influência maligna; os demais casos costumam ser de doenças mentais.

O demônio, explica, “se manifesta de maneiras muito diferentes. Não pense em filmes como ‘O exorcista’. Às vezes, a normalidade é muito inquietante. Não chega de repente. Manifesta-se causando dano. As pessoas sofrem e se afastam de Deus: esta é a missão do Maligno”.

De que porcentagens estamos falando no caso das possessões demoníacas?

Cerca de 90% dos exorcismos são por influência maligna; apenas 10% são por possessão.

O senhor tem certeza quando é um caso de possessão demoníaca?

Não, nunca há certeza total. O que eu sim vejo são manifestações desse espírito maligno nas pessoas. Pessoas fiéis que sofrem, que falam com voz cavernosa, que estão atormentadas e precisam se livrar dos demônios. Pedem cura. Eu não curo ninguém, é Deus quem age.

Há quem pense que o demônio não existe.

Sim, também bispos. Um deles me disse que não havia casos de possessão em sua diocese, mas eu estava tratando 5 pessoas de lá. As pessoas procuram ajuda, eu recebo gente de todos os lugares. Toda diocese deveria ter um exorcista, mas nem sempre há.

Estou vendo sua agenda, está lotada. Quem vem?

Pessoas que vivem destroçadas e querem sair da situação de mal-estar enorme em que se encontram. Pessoas de todo nível social e condição. Crentes, não necessariamente católicos, mas que acreditam. Meus próximos dois meses já estão cheios.

Um exorcista cobra pelos seus serviços?

Nunca cobro nada. Nenhum honorário. Isso dá confiança. Não quero dinheiro. Há muitos imigrantes. E pessoas de todos os tipos que não acredita que seu mal seja psicológico.

O exorcismo não é somente para pessoas simples?

Recebo pessoas de todo tipo e condição. Eu escuto, faço um diagnóstico… Se for caso médico, encaminho.

Como é um exorcista? Imagino vocês bem calmos e pacientes.

Sim, com uma paciência enorme e muito senso apostólico de ajudar as pessoas. Não é fácil, em agradável, nem é você que escolhe. A pessoa precisa ser piedosa, um doutor prudente e com integridade de vida. O bispo decide.

E o exorcismo funciona na hora?

Às vezes, é imediato. Enquanto a pessoa espera pela consulta, peço que leia o Evangelho de cada dia, que reze. Se é possessão ou influência, só Deus pode tirar. Os santos ajudam, mas é Deus quem tira. Estar bem com Deus é fundamental.

O senhor já sentiu medo?

Tive muito medo quando me nomearam. Hoje já não mais. É um serviço. Às vezes peço ajuda, peço que me acompanhem, quando vou estar com pessoas um pouco violentas.

Como o senhor faz para que seu trabalho não o afete pessoalmente?

Eu reflito assim: faço isso em nome da Igreja, ela me dá a oportunidade de ajudar. Há momentos difíceis, porque as pessoas veem coisas muito estranhas, visões, presenças. Mantenho distância emocional, pois do contrário ficaria louco. Mas é preciso ter confiança em Deus. Enorme. Ou você é uma pessoa de fé, ou é melhor abandonar este ofício. Humanamente, não é simples.

Como o senhor chama as pessoas que o procuram?

Pacientes, ou simplesmente fiéis angustiados que precisam de uma resposta.

O demônio fala?

Através da pessoa possuída, claro. E fala comigo, é muito forte.

Em que idioma os exorcismos são feitos?

O exorcismo é um ato da Igreja e eu faço o que a Igreja me manda; se pede que seja no meu idioma, eu faço assim. Mas gosto que os pacientes entendam, participem. Então, o latim não é necessário.

Há casos de infestação de objetos?

Sim, claro, e de animais também, casas, carros.

Já me fizeram um exorcismo, no Batismo, como a todos os batizados. As pessoas são conscientes disso?

Não, de jeito nenhum. Muitas pessoas desconhecem que no sacramento do Batismo se pratica um exorcismo. Puro e simples. O que eu faço é solene, extraordinário. E isso não pode ser banalizado.

A própria pessoa percebe que está possuída, ou são as pessoas que convivem com ela que percebem?

As duas coisas. Ou você percebe, ou avisam você. Mas há sintomas: a pessoa não consegue dormir, tem tentativas de suicídio, de tudo. Se conversam com alguém que conhece um exorcista, então acabam vindo. Outros chegam porque já não sabem mais o que fazer.

Então o senhor vê que a pessoa precisa e pratica um exorcismo. Como é feito?

Eu coloco a estola e começamos a oração de proteção.

Precisa de água benta, sal e estola. E pronto?

Sim, e o ritual em mãos para a oração.

O que é mais difícil nisso?

As renúncias a Satanás. Se eu vejo que as pessoas se bloqueiam e não as fazem, não continuamos, porque depois é um rito sem sentido. Não se pode fazer um exorcismo sem renunciar a Satanás.

E como termina um exorcismo?

Eu termino com duas orações. Nossa Senhora para mim tem uma importância muito grande. Proponho a oração de São Bernardo a Ela. E uma de São Francisco: “Senhor, fazei de mim instrumento da vossa paz…”. E incentivo a pessoa a voltar a Deus. Não há outro caminho.


Exorcista padre José Antonio Fortea

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Tags:
DemônioExorcismo
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