Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Quinta-feira 21 Janeiro |
São Sebastião
home iconCultura e Viagem
line break icon

As raízes católicas do panetone

panettone bread

Brent Hofacker | Shutterstock

V. M. Traverso - publicado em 14/12/20

O surgimento do bolo especial remonta a um chef que servia um Papa da era renascentista e a um internato católico do século 16

O panetone é uma daquelas coisas que lembram o Natal. Em muitos países, por exemplo, as pessoas podam árvores, celebram com canções de Natal e criam presépios para anunciar a vinda do menino Jesus.

Mas para os italianos, o Natal não seria o mesmo sem o panetone, o icônico bolo de Natal em forma de cúpula. Datado da época romana, este bolo de pão doce e macio originalmente recheado com passas, nozes e frutas cristalizadas deve muito do seu desenvolvimento a figuras católicas.

Sabemos por evidências históricas que, para suas celebrações, os antigos romanos costumavam assar um tipo de pão fermentado (panem triticum) com ovos, mel e passas. Mas só no Renascimento é que temos a prova de uma receita de panetone semelhante à das confeitarias contemporâneas.

Livros de receitas do século XVI de Bartolomeo Scappi, um chef que servia o Papa Pio V, mostram que um bolo de pão recheado com passas fazia parte do menu que ele preparava para o chefe da Igreja. Além disso, o panetone também aparece em uma pintura do século 16 de Pieter Brueghel, o Velho.

As lendas sobre o panetone

Portanto, graças a essas pistas, sabemos que um ancestral do panetone de hoje era comum durante o Renascimento. Mas quando ele se tornou, de fato, um bolo de Natal? Tal como acontece com muitos alimentos icônicos, surgiram lendas e mitos sobre a origem do panetone como bolo de Natal.

A lenda mais popular diz que o panetone foi inventado numa véspera de Natal do século 15 na corte de Ludovico il Moro, em Milão. O chef preparou um pudim de Natal, mas a especiaria queimou no forno. No entanto, um padeiro chamado Toni salvou o jantar graças à sua engenhosidade. Ele, então, decidiu rechear um pão com passas, açúcar e nozes. Ludovico il Morolik gostou tanto do pão que o chamou de “Pan de Toni” (pão de Toni).

Verdadeira ou não, a lenda parece estar enraizada em alguma realidade. Graças aos registros mantidos por um internato católico, a escola Borromeo de Pavia, sabemos que por volta de 1500 o panetone se tornou uma tradição de Natal.

Fundado pelo cardeal milanês Saint Carlo Borromeo em 1561 e definido como “o palácio do conhecimento” pelo historiador da arte Giorgio Vasari, o Borromeo College recebia estudantes promissores de origens pobres. Os alunos eram hospedados e treinados por padres e professores católicos e muitos teólogos notáveis, médicos e advogados graduados nesta escola. Os registros meticulosos mostram que em 1599 a escola servia aos alunos um “pão de Natal” feito com manteiga, passas e especiarias.

Tradição natalina

Além disso, registros que datam do século 16 mostram que os padeiros milaneses costumavam fazer panetones nas semanas anteriores ao Natal. Rompendo o hábito tradicional de assar pão branco para clientes ricos e pão de milheto para os mais pobres, o panetone ia tanto para ricos quanto para pobres.

Durante o século 18, o panetone se tornou uma tradição natalina em Milão. Mas foi só na década de 1920 que o famoso bolo ganhou sua atual aparência em forma de cúpula. Devemos isso ao padeiro milanês Angelo Motta, membro da Ordem Eqüestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, que imitou o kulic, um bolo tradicional russo geralmente feito para a Páscoa.

Hoje, os italianos compram cerca de 54 milhões de panetones durante as férias. O Papa Francisco se tornou um fã da tradição. Desde o início de seu papado, em 2013, ele recebe um panetone especial, criado para o papa pelo chef siciliano Nicola Fiasconaro. O bolo é feito com o “maná” a famosa substância bíblica.


FAMILY,CHRISTMAS

Leia também:
As 3 mais belas tradições de Natal e suas origens 

Tags:
Natal
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • A Aleteia é publicada em 8 idiomas: Português, Francês, Inglês, Árabe, Italiano, Espanhol, Polonês e Esloveno.
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
1
Larry Peterson
Ela se divorciou duas vezes, teve 8 filhos, virou freira e levou ...
2
FETUS
Francisco Vêneto
Abortos no mundo em 2021 já superam mortes por covid em toda a pa...
3
Pope Audience Wednesday
Vatican News
A importância de ir à Missa aos domingo, segundo o Papa Francisco
4
POPE AUDIENCE
Reportagem local
A oração de cura que pode ser dita várias vezes por dia
5
Aleteia Brasil
Na íntegra: as três partes do Segredo de Fátima - e uma interpret...
6
BLESSED CHILD
Philip Kosloski
Cubra seus filhos com a proteção de Deus através desta oração bíb...
7
UNPLANNED
Jaime Septién
Filme contra o aborto arrasa nas bilheterias dos EUA
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia