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Santa Inês, a Praça Navona e o Brasil

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Vitor Roberto Pugliesi Marques - publicado em 25/01/21

Santa Inês foi cobiçada pelo filho do prefeito de Roma à época, o jovem Fúlvio, mas o rejeitou, pois tinha um compromisso virginal com Jesus

Na metade do mês de janeiro, mais especificamente no dia 21, a Igreja é convidada à memória litúrgica de uma virgem e mártir católica do terceiro século: Santa Inês de Roma, também conhecida como Santa Agnes de Roma. 

Essa virtuosa menina, venerada por católicos e ortodoxos, descendia de uma família nobre do império romano e, desde a infância, assumiu o propósito de consagrar sua pureza virginal a Cristo, unindo-se a Ele como sua verdadeira esposa. Sob o império de Diocleciano, no século III, devido à firmeza de seu propósito, foi submetida à humilhação pública e, depois, decapitada, no antigo Circo Agnolo, sendo que o local hoje dá lugar à Praça Navona, em Roma. No local de seu martírio, ergueu-se posteriormente a Basílica de Santa Inês in Agone, que ainda hoje não deixa de encantar por sua bela arquitetura. O interessante (ou até mesmo providencial) é que, diante da Praça Navona, encontra-se hoje a embaixada brasileira na Itália. Tendo em vista que a embaixada de um país, em termos de relações internacionais, é o solo daquele país em terras estrangeiras, poderíamos pensar o que Santa Inês ensina à nossa nação, haja vista que ela está “diante de nossos olhos”.

Basílica de Santa Inês in Agone

A embaixada brasileira na Praça Navona está sediada no edifício chamado Palazzo Pamphili, antiga residência de alguns papas, sendo que, à época em que foi adquirida pelo Brasil, houve, além do dinheiro público, a participação financeira de famílias importantes do nosso país. É um edifício que começou a ser construído, em 1630, pela poderosa família Pamphili, família à qual pertenceu, por exemplo, o papa Inocêncio X. Tiveram participação em sua construção importantes artistas e arquitetos, tais como Francesco Borromini, arquiteto italiano que colaborou nas obras da Basílica de São Pedro, no Vaticano. O papa Inocêncio X, enquanto morava no Palazzo Pamphili, deu início, em 1652, à construção da atual Basílica de Santa Inês, sendo que dela era vizinho e frequentador. Desse processo, participou o escultor Gian Lorenzo Bernini, o qual também esculpiu fontes de impressionante tamanho na Praça Navona, que valem a pena serem admiradas. O conjunto Palazzo Pamphili, Praça Navona e Basílica de Santa Inês in Agone é de uma beleza imensa, merecendo ser fonte de visitação e devoção.

A beleza, todavia, que reveste os locais do martírio de Santa Inês são infinitamente menores do que a beleza do testemunho dessa formosa menina. Podemos iniciar refletindo que se tratava de uma garota de 13 anos de uma família patrística, ou seja, da nobreza romana. Isso já nos mostra que para a santidade não há idade nem classe social. Desde o nosso batismo – quem sabe mesmo antes dele pela brisa suave de Deus a falar dentro de nós – somos chamados a compor a Igreja de Cristo e a progredir na santidade e na justiça diante dele por toda a nossa vida (cf. Lc 1,75). Sendo de família nobre, não deixou que os bens materiais e terrenos fossem impedimento à sua santidade, de modo a nos ensinar que ricos e pobres possuem o mesmo chamado universal à santidade. Não é o dinheiro em si um impedimento ao Reino dos Céus, mas, sim, o seu mal uso, de modo a produzir uma pseudo-caridade, tal como nos ensinou Nosso Senhor Jesus na passagem do jovem rico (cf. Lc 18, 18-30; Mt 19,16-29; Mc 10, 17-3). 

Martírio

Santa Inês foi cobiçada pelo filho do prefeito de Roma à época, o jovem Fúlvio, mas o rejeitou, pois tinha um compromisso virginal com Jesus. Ela poderia ter cedido aos caprichos do jovem e rico rapaz, tornando-se uma poderosa dama romana, mas, uma vez unida à Cristo, sabia que um reino maior que o terreno a esperava. A essa primeira tentação de manchar seu voto virginal, seguiu-se a tentação de romper um segundo voto: o voto da fé única no Deus Vivo. Por rejeitar o jovem rapaz, foi obrigada a prestar honras à deusa romana Vesta, imposição à qual respondeu, de forma contundente, que não faria. Aquela estátua pagã nada representava à jovem, sendo que seu Deus não era deste mundo, mas sim o Deus vivo que está no Céu.

Pelas recusas que realizou, seguiu-se um processo doloroso de desonra pública e martírio. Foi colocada nua no profano Circo Agnolo, mas teve sua pureza mantida pelo milagroso crescimento dos seus cabelos a cobrir sua intimidade. Foi condenada a morrer queimada, mas as chamas não tocaram aquele corpo cujo único fogo sobre o qual se consumiria era a do Espírito Santo. A mando do vice-prefeito de Roma, Aspásio, foi, por fim, decapitada, derramando seu sangue em honra da virgindade, do matrimônio indelével com Cristo e da Igreja. Como é belo pensar que esse testemunho vivo está diante de nossos olhos em Roma por meio da embaixada na Praça Navona!

Testemunho de fé

Perante a realidade atual de destruição da infância em nosso país, por exemplo, pela propagação da tosca teoria de gênero (cf. Papa Francisco: deve-se fazer muito mais em favor das mulheres, publicado em Aleteia a 15/04/15), devemos nos lembrar de que nossas crianças devem ser protegidas, pois desde a mais tenra idade são chamadas por Deus à santidade e desde sempre podem frutificar em graça, tal como nos mostra Santa Inês, bem como as três mártires brasileiras da castidade (cf. Albertina, Isabel e Benigna: as três mártires da castidade brasileiras, publicado em Aleteia a 10/11/2020). Com a tentativa de destruição da fé por meio da propagação, no Brasil, da crença no horóscopo, nas cartomantes e no relativismo, devemos responder, como Santa Inês, que somente ao Deus vivo, que é o Deus de Cristo Jesus, se presta culto, tal como nos ensinou o nosso Deus desde a antiga aliança (cf. Dt 6,13). Tenhamos, por fim, o martírio (que vem do grego martys, martyros e significa testemunha) de Santa Inês como certeza de que todo testemunho de fé que damos em nossa vida cotidiana é fermento para novas conversões e é coroado por Deus com a glória dos céus. 

Santa Inês, rogai por nós!

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