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O clamor médico em dizer: só Deus pode nos ajudar!

Enfermeira com crucifixo

Florin Deperin | Shutterstock

Vitor Roberto Pugliesi Marques - publicado em 24/03/21

Deus não nos desampara jamais, está conosco neste momento de calvário, mas com Ele e com a perseverança n’Ele superaremos essa guerra e tiraremos dela muitos bons frutos espirituais

Em face da gravidade da pandemia da Covid-19, representada pela ascensão de novos casos da infecção e pela indisponibilidade de recursos suficientes para atender adequadamente toda a população acometida, um amigo, médico intensivista, responsável por pacientes graves em uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) respiratória, fez alguns vídeos de alerta à população. Ao final desses vídeos, tem terminado dizendo: “só Deus pode nos ajudar”. Usando como ensejo essa frase, gostaríamos de refletir como pode Deus vir, de modo concreto, ao nosso auxílio, nesse momento de tamanha fragilidade e dor.

A primeira forma como Deus pode vir ao nosso auxílio é nos mantendo firmes na fé. De modo similar ao que proferiu o salmista, em face de nossa dor atual, poderíamos dizer: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste, descuidando de me salvar, apesar das palavras de meu rugir?” (Sl 21,2). Entretanto, nesse mesmo salmo, o salmista mostra como temos de nos relacionar com Deus; com Ele devemos estabelecer um diálogo em que colocamos nossas dores, angústias e aspirações, mas tendo sempre a certeza de que é d’Ele a realeza e o poder. Vai concluir o salmista dizendo: “pois a Iaweh pertence a realeza: ele governa as nações” (Sl 21,29). Neste momento trágico, devemos ter a certeza de que Deus ouve nossas angústias e está ao nosso lado, nos dando força, paciência e perseverança para passarmos por esse calvário. Não veio de Deus a pandemia, do mesmo modo como nenhum mal vem de Deus. Pelo contrário, d’Ele só vem bênçãos e salvação; e se Ele tem permitido o mal da pandemia é porque do mal podemos tirar o pleno bem.

A segunda forma como Deus pode vir ao nosso auxílio é nos dando consciência da responsabilidade coletiva que temos. Por caridade, precisamos nos cuidar com as armas que temos: o uso de máscaras e álcool em gel e realizando o distanciamento social. Infelizmente, ainda estão no âmbito da pesquisa possíveis tratamentos precoces e curativos, a despeito do esforço global em progredir nesse sentido. Do mesmo modo, não temos, em quase nenhum país, uma cobertura vacinal maciça que possa conter o avanço do vírus. É responsabilidade do cristão consciente não espalhar notícias falsas ou quaisquer notícias sem checar as devidas fontes, pois isso pode levar o nosso próximo ao erro e até mesmo levá-lo a causar malefícios à sua própria saúde. A medicina baseada em evidências leva tempo, e da mesma forma como “sofremos as demoras de Deus” (cf. Eclo 2,3), temos de aguardar que as reais intervenções curativas mostrem-se cientificamente comprováveis. Isso porém não significa praticar a condenável mistanásia; ou seja, não usar dos recursos médicos que temos deixando o paciente morrer sem a devida assistência médica. Lembremo-nos que, não há muito tempo, estava-se oferecendo curas para o câncer e para o Alzheimer do mesmo modo como se oferece atualmente a cura para o Covid-19.

A terceira forma como Deus pode vir ao nosso auxílio é tornando-nos ativos em cobrar a justa medida para todas as coisas. Da mesma forma como Deus “dispôs tudo com medida, quantidade e peso” (Sb 11, 20b), temos de evitar os excessos patológicos das medidas restritivas. Temos visto muitos governantes instituindo medidas extremas ao comércio e à sociedade, quando não são esses os locais de real disseminação da pandemia (cf. “O estado de taquicardia patológica após mais de um ano de pandemia”, publicado, no Aleteia, em 15/03/21). Como cristãos, temos a responsabilidade em fazer valer a ordem e o rigor da lei nos locais onde há erro de conduta humana: sobretudo nos bailes funk badalados, nas “cracolâncias” lotadas e nas festinhas clandestinas.

Este é um momento oportuno para praticarmos a chamada hypomoné (ὑπομονή), termo grego que traduz a constância interior de quem, apesar de tudo, se mantém fiel a Cristo e à vida de piedade. Deus não nos desampara jamais, está conosco neste momento de calvário, mas com Ele e com a perseverança n’Ele superaremos essa guerra e tiraremos dela muitos bons frutos espirituais.  




Leia também:
O estado de taquicardia patológica após mais de um ano de pandemia


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Tags:
CoronavírusPandemiaSaúde
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