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Cardeal perseguido por comunistas comemora 65 anos de sacerdócio

Ernest Simoni

TIZIANA FABI | AFP

Gelsomino Del Guercio - publicado em 28/04/21

Este "mártir vivo" passou 28 anos na prisão, fazendo trabalhos forçados por não renegar a Cristo

Sessenta e cinco anos de sacerdócio, alguns deles exercidos em condições extremas: o cardeal albanês Ernest Simoni, de 92 anos, celebrou este marco eclesiástico verdadeiramente excepcional em Florença, Itália, no dia 7 de abril. Ele passou 28 anos como prisioneiro fazendo trabalhos forçados, por não ter aceitado renegar a Cristo e Sua Igreja.

Única testemunha restante da perseguição albanesa

Hoje, Simoni é cônego na catedral de Florença, a capital da Toscana. Ele é o único padre ainda vivo que testemunhou a perseguição do regime comunista de Enver Hoxha, que proclamou a Albânia o “primeiro estado ateu do mundo”.

Desde o dia de sua libertação em 1990, e até a chegada da pandemia, ele nunca cessou seu ministério. Nesses anos sempre visitou as paróquias e encontrou-se com fiéis na Albânia, como também na Itália e nos Estados Unidos, onde vivem também muitos grupos da sua terra natal.

“Quem sou eu …”

Para dar uma ideia de sua personalidade, lembra o cardeal:

Eu costumava repetir para mim mesmo, e ainda repito: quem sou eu, um homem pobre e pecador, para tomar o corpo de Jesus em minhas mãos? Hoje reafirmo meu amor a Cristo e à Igreja, como tenho procurado fazer todos os dias nestes 65 anos.

Durante esses anos, o homem que brincava de rezar a missa já quando criança, segundo Avvenire, colocou o memorial do sacrifício de Cristo no centro de sua existência. No final de uma celebração eucarística, ele foi preso em sua paróquia de Barbullush, um vilarejo próximo a Scutari, na noite de Natal de 1963.

A noite da prisão

Ernest Simoni foi preso após a celebração da missa. “Quatro policiais me levaram à força; eles estavam a ponto de quebrar meus braços ”, disse ele.

Ele lembra que foi preso pelas autoridades comunistas porque praticava exorcismos e porque havia celebrado missas em sufrágio do presidente dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy, assassinado no mês anterior. Ele foi preso, torturado e condenado à morte – uma sentença comutada para 25 anos de trabalhos forçados.

Condições extremas

Ele celebrava a missa então em condições extremas e sob risco de morte. “Eu separava um pouco de farinha de rosca e espremia uvas para consagrar”, disse ele ao Avvenire. “Os guardas não entendiam e achavam que eu estava louco. Nossa Senhora me protegeu.”

Uma testemunha da fé que deve ser honrada

O cardeal Giuseppe Betori, arcebispo de Florença, que o nomeou cônego da catedral, comemorou o 65º aniversário de Simoni.

“Nossa Igreja florentina”, disse Betori, “acolheu uma testemunha da fé, que deve ser honrada e reconhecida pelo sofrimento que suportou por causa de sua fidelidade a Cristo”.

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CardeaiscomunismoHistória da Igreja
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