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Como lidar com a tristeza? Santo Tomás de Aquino ensina

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Mathilde de Robien - publicado em 20/05/21

As emoções podem nos fazer tropeçar. Mas os santos nos mostram que as emoções também podem nos permitir crescer, seguir em frente e tomar boas decisões

“Percebi que não podemos ir à missa deixando nossa raiva ou tristeza na frente da igreja. O Senhor nos pede que venhamos a Ele com todo o nosso ser ”, diz Edwige Billot, casada e mãe de três filhos.

Ela trabalha há 10 anos com recursos humanos e, no início deste ano , publicou um livro em francês sobre como obter orientação dos santos para lidar com nossas emoções (“Et si les saints nous coachaient sur nos émotions ?”).

Billot aprecia a psicologia humana e os testemunhos dos santos. Ela está convencida de que os santos compreenderam até que ponto Deus deseja nos alcançar no âmago de nossas emoções.

Nossas emoções e nosso relacionamento com Deus são, diz ela, duas facetas da vida que podem ser unificadas. Não devemos ignorar nossas emoções (reações fisiológicas do nosso corpo a um evento). Devemos recebê-las, entendê-las e ajudá-las a ir na direção certa.

As emoções podem nos fazer tropeçar. Mas os santos nos mostram que as emoções também podem nos permitir crescer, seguir em frente e tomar boas decisões.

Tristeza e o perigo do desespero

Santo Tomás de Aquino define tristeza como “a dor da alma”. O perigo da tristeza é que podemos nos entregar a ela indefinidamente e afundar no desespero. Esta é a “dor excessiva” contra a qual São Paulo nos adverte (2 Cor 2, 7). Em última análise, esse estado nos distancia de Deus, que é a fonte da esperança.

Santo Tomás destaca o valor das expressões exteriores da dor – “lágrimas e gemidos” – como meio de amenizá-la. Na verdade, para o autor da Summa Theologica,

“Uma coisa dolorosa dói ainda mais se a mantivermos fechada, porque a alma está mais atenta a ela: ao passo que se for permitido escapar, a intenção da alma se dispersa como se fosse nas coisas exteriores, de modo que a tristeza interior é diminuída.” (I-II q. 38 a. 2).

A melancolia se acentua se não aceitamos nossa tristeza. Vamos nos permitir chorar e falar sobre nossa tristeza. Isso nos ajudará a evitar cair na armadilha do desespero.

Aprendendo a chorar

O Papa Francisco nos exorta a isso, dizendo: “Algumas realidades da vida só são visíveis depois que nossos olhos foram limpos pelas lágrimas. Recomendo a todos vocês que se perguntem: Eu aprendi a chorar? ”

“Nosso mundo de hoje precisa chorar!” ele exclamou durante um encontro com jovens nas Filipinas em 18 de janeiro de 2015, diante de uma jovem em lágrimas.

Chorar também é uma forma de colocar nossa tristeza nas mãos de Deus. Permite-nos ser confortados por Aquele que é a fonte de todo o consolo:

“Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das miseri­córdias, Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as nossas tribulações, para que, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus, possamos consolar os que estão em qualquer angústia!” (2 Cor 1,3-4)

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