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Cardeal denuncia: leis antidiscriminação são manipuladas contra liberdade religiosa

Cardeal Gerhard Müller

Cardeal Gerhard Müller / CC

Francisco Vêneto - publicado em 28/06/21

"A crise do coronavírus não pode ser uma oportunidade para minar a liberdade da sociedade em prol do paternalismo de uma elite autoproclamada"

Leis antidiscriminação são manipuladas contra liberdade religiosa, denunciou o cardeal Gerhard Müller, ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, durante recente entrevista a Lothart Rilinger, do site Kath.net. Müller declarou que existe uma poderosa elite engajada em impor um pensamento único, baseado na sua própria ideologia, que ameaça a liberdade de pensamento, de crença e de expressão dos indivíduos.

O cardeal também constatou a inversão que se procura impor a respeito do real papel e sentido do Estado nas sociedades humanas:

“O Estado existe para o povo e não o povo para o Estado. O cidadão não é propriedade daqueles que estão no poder, mas o povo é o soberano a quem o governo deve prestar contas. Nenhum homem tem o direito de decidir sobre a vida, a integridade corporal e a liberdade de consciência e de crença do outro. Não se devem limitar os direitos fundamentais”.

A propósito dos direitos fundamentais da pessoa humana, o cardeal reafirmou que eles nos são dados pelo Criador e não pelo Estado:

“[Os direitos fundamentais] nos chegam por natureza ou, segundo nós, são concedidos por nosso Deus e Criador. Não podem ser revogados ou limitados. Só pode ser punido o seu abuso ou seu uso em detrimento dos outros. Em caso de guerras, desastres ou pandemias, as autoridades legítimas devem tomar as medidas necessárias para o bem comum. Mas a crise do coronavírus não pode ser uma oportunidade para minar a democracia e a liberdade da sociedade civil em prol do paternalismo de uma elite autoproclamada, que pretende ensinar à grande massa do povo o que é bom para eles. O Estado não é como um professor que trata ou maltrata seus cidadãos como ‘alunos estúpidos'”.

Müller enfatizou a limitação do Estado perante os direitos fundamentais dos indivíduos:

“Conceder e retirar [direitos] provém do dicionário das ditaduras educacionais autocráticas. Num Estado constitucional, distinto de um Estado unitário ideológico, cabe aos três poderes separados proteger e garantir o exercício dos direitos naturais dos cidadãos. Também não precisamos de políticos, juízes ou seus porta-vozes na mídia estatal, que, como crianças menores de idade, às vezes nos tratam com dureza e outras vezes nos deixam correr com uma coleira”.

Leis antidiscriminação são manipuladas contra liberdade religiosa

O cardeal denunciou também o que chamou de “ditadura da opinião”, que tenta impedir os outros de discordarem – inclusive mediante a imposição de leis baseadas apenas em ideologia. E exemplificou:

“Atualmente, por causa da agenda agressiva de descristianização nas instituições da União Europeia, na administração Biden, nos países islâmicos e ateus, a liberdade de crença e culto dos cristãos está irrefutavelmente ameaçada de forma sutil ou brutal (…) Não se pode conceber que a polícia e o ministério público sejam os pilares da discussão acadêmica. Isso é pura decadência, quando os professores são convidados e depois expulsos por ativistas de gênero, fanáticos Black Lives Matter e LGBT. Afinal, Sócrates foi condenado à morte por medíocres políticas do poder”.

Müller não se furtou a denunciar “certos superbilionários americanos, grandes gigantes tecnológicos e a indústria farmacêutica” por se aproveitarem da crise do coronavírus e impulsionarem as teses do assim chamado “Grande Reset”:

“Estão tentando impor ao mundo inteiro a sua concepção pobre de humanidade e a sua visão de mundo economicamente limitada ao modelo do Partido Comunista Chinês”.

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