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Carta de jovem ex-protestante repercute nas redes: “Sim, eu me tornei católico”

Caio Batista, jovem ex-protestante que se tornou católico

caio.batista.505 | Facebook

Caio Batista, jovem ex-protestante que se tornou católico

Reportagem local - publicado em 15/07/21

"Uma coisa eu descobri: todos os Dogmas e doutrinas Católicas são fundamentados nas Sagradas Escrituras"

A carta aberta de um jovem ex-protestante repercute nas redes sociais no Brasil. “Sim, eu me tornei católico”, afirma Caio Batista, o rapaz carioca autor do depoimento que, a partir da sua página no Facebook, tem sido compartilhado por milhares de outros perfis.

Reproduzimos a seguir o testemunho de Caio com a exposição dos motivos que o levaram a reconhecer e abraçar a plenitude da fé cristã na Igreja Católica Apostólica Romana.

Sim! Eu me tornei católico!

Eu sei, eu sei que muitos irão me perguntar: “Mas, Caio, qual motivo?”. Entendo que seja difícil para muitos que me conhecem entenderem essa mudança. Por isso fiz esse texto, para tornar pública a minha decisão e dar os motivos (alguns deles) para a minha conversão.

Adianto que esse texto não tem objetivo apologético, não é para “converter” protestantes e nem dizer quem está certo ou errado. Se você for comentar, espero que entenda que não é uma abertura para debates e sim uma explicação do que me trouxe de volta para casa, lar, doce lar, ou como diria o ex-presbiteriano Scott Hahn, “Rome sweet Home”. Então vamos aos fatos!

A infância protestante

Caio recorda:

Nascido e criado em meio evangélico, sempre tive uma fé sincera em Cristo, assim como foi-me passado por familiares que me levavam às igrejas desde pequeno. Cresci amando a Deus e sua Palavra, o que me fez estudar cada vez mais as Sagradas Escrituras. Na adolescência dei um passo à frente na fé e me desliguei do meio Pentecostal, onde fui criado, e tornei-me Presbiteriano. Amei a teologia reformada como nunca havia amado qualquer doutrina até então e me aprofundei nela, onde achei um firme refúgio para a fé, como eu acreditava. E reitero meu carinho por todos os irmãos que me receberam na Igreja Presbiteriana de Cachoeiras de Macacu, RJ.

No processo de estudo sobre a “reforma” protestante, me deparei com citações de Calvino sobre Santo Agostinho, o que despertou minha curiosidade de estudar seus escritos. Então fui ler o que o Doutor da Graça escreveu sobre a Graça e a Salvação. Me deparei com algo que me assustou. Apesar de Calvino citar Santo Agostinho 420 vezes (aproximadamente) nas institutas, a teologia da Graça/Salvação de Agostinho era diametralmente diferente da que Calvino pregava, sendo esta [constituída por] cortes e aplicações mal feita daquela. Isso me despertou a curiosidade sobre a soteriologia “agostiniana”, pois ela era muito mais coerente e consistente do que a de Calvino e me fez estudar mais sobre isso. Conversando com amigos católicos, ouvi dizer que Santo Agostinho contribuiu muito para a doutrina da Graça no Catolicismo e fui averiguar, indo até as fontes. De fato! Era isso mesmo. A Igreja Católica, falsamente acusada de ensinar Salvação “por obras”, foi a que mais se aproximou da teologia da Graça de Santo Agostinho. O que me levou a um segundo passo…

“Sola fide”

Eu já tinha meus questionamentos sobre o “Sola Fide” de Lutero, e, quanto mais eu lia as Escrituras, mais distante disso eu ficava. Até o dia que eu descobri curiosamente que Lutero tinha problemas com o livro de Tiago no Novo Testamento e chegou a chamá-lo de “Livro de Palha”. Pois bem, fui ler Tiago atentamente e descobri o motivo do ranço de Lutero com esse livro canônico. Está aqui o motivo:

Tiago 2:24 “Estais vendo que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé”.

Foi quando eu descobri que o único lugar da Bíblia que botava o “somente” e “fé” na mesma frase era para negá-la! Não podia continuar sustentando essa teoria de Lutero, contrapondo as Escrituras. Foi quando comecei a ler o Concílio de Trento (Contrarreforma) e percebi que a teologia da justificação católica era o que mais se aproximava das Sagradas Escrituras.

“Sola Scriptura”

O segundo passo foi questionar o “Sola Scriptura”, e, para isso, nada mais coerente do que perguntar: “Onde está o Sola Scriptura na Bíblia?”. Se a teoria de Lutero era que as Escrituras são a única regra de fé e prática, logo, nada mais justo que procurar onde a Bíblia diz isso. Pois bem, a Bíblia não diz! Os textos usados para defender essa tese basicamente são:

João 5:39
2 Pedro 1:20-21
2 Timóteo 3:14-17

Leia você mesmo e me responda com sinceridade: onde, nesses textos, se diz que as Escrituras são a ÚNICA regra de fé e prática? Sendo que esses mesmos textos se referem às Escrituras do Velho Testamento, pois, na época em que eles foram escritos, o Cânon do NT não estava formado ainda (não estou negando que as Escrituras são infalíveis).

Pois bem, fui dar uma pesquisada sobre os concílios ecumênicos na história da Igreja que definiram o Cânon Bíblico do Novo e Velho Testamento. Entre eles temos o Concílio regional mais antigo, que é o Sínodo de Cartago, 28 de agosto de 397 D.C. E após ele temos o Concílio ecumênico de Florença, 25 de julho de 1431. D.C. Ambos os Concílios aconteceram antes da “reforma protestante” e ambos os concílios definiram o Cânon Bíblico incluindo os 7 livros Deuterocanônicos do Velho Testamento, que hoje não temos mais na Bíblia protestante, pois foram deixados de lado após a reforma. Mas, no Concílio pós-reforma de Trento (1546), esses livros são reafirmados como canônicos, refutando assim a ideia de que a Igreja Católica acrescentou livros à Bíblia depois da reforma. Mais uma mentira desmascarada!

Para terminar de vez com a teoria do “Sola Scriptura”, eu só precisei de mais dois textos bíblicos:

2 Tessalonicenses 2:15: “Portanto, irmãos, ficai firmes; guardai as tradições que vos ensinamos oralmente ou por escrito”. O Apóstolo Paulo afirma ter duas fontes de Tradição a serem preservadas: as epístolas e a tradição oral, reafirmando a doutrina Católica da Tradição Apostólica oral e escrita.

E, para completar o tripé da Fé Católica, Paulo continua em 1 Timóteo 3:15: “Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo: coluna e sustentáculo da verdade”. Paulo reafirma a autoridade da Igreja como Coluna e Sustentáculo da Verdade, responsável por guardar as tradições que os apóstolos receberam do próprio Cristo.

Derrubando as resistências à doutrina

O jovem ex-protestante enfatiza:

Esse é o Sagrado Magistério da Igreja! A partir disso, meu coração pesou, pois os fundamentos da minha fé protestante estavam destruídos. E não me restou nenhuma opção a não ser quebrar o orgulho e estudar os Dogmas Católicos, a que eu tinha alguma resistência. Foi aí que, tendo por base as Sagradas Escrituras, fui esmagado pelas verdades da Fé Apostólica.

O “problema” da Veneração Mariana foi resolvido:

A inimiga da serpente (Gênesis 3:15)
A Mulher Gloriosa e Rainha (Apocalipse 12)
Santidade de Maria: Gênesis 3:15, Lucas 1:28
Maria mãe de Deus: Lucas 1:43
Maria mãe de todos os cristãos: Apocalipse 12, especialmente o vers. 17
Maria sempre virgem: Isaías 7:14, Ezequiel 44:2, Lucas 1:34

O “problema” do purgatório foi resolvido:

Hebreus 12:14
Mateus 12:31
2 Macabeus 12:39-45
1 Coríntios 3:10
Lucas 12:45-48
Lucas 12:58-59
1 Pedro 3:18-19
Efésios 4:8-10

E o ponto crucial para dirimir toda dúvida é a certeza de que eu receberia Cristo realmente e inteiramente na Santa Eucaristia: seu Corpo e seu Sangue me atraíram de forma irresistível.

João 6:52-58
Mateus 26;26
1 Coríntios 10:16-17
1 Coríntios 11:23-34

Um jovem ex-protestante: “Sim, eu me tornei católico”

E assim sucessivamente. Não terei como pontuar tudo, pois não caberia no texto. Mas uma coisa eu descobri: todos os Dogmas e doutrinas Católicas são fundamentados nas Sagradas Escrituras. E, através de um processo de muita oração e estudo, eu não poderia ser desonesto comigo mesmo e com a igreja que frequentava: tive que tomar a decisão.

Não foi fácil, não está sendo fácil e não será fácil. Mas uma coisa nosso Mestre nos ensinou: “Toma a tua Cruz e segue-me” (Mateus 16:24).

Caio Batista

Via Facebook

Tags:
BíbliaConversãoDoutrinaIgreja CatólicaTestemunho
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