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Documentário retrata a realidade dos índios yanomami na Amazônia 

yanomani, índios

Pablo Bayley Angeleri / Shutterstock.com

Octavio Messias - publicado em 10/09/21

A Última Floresta, do diretor Luiz Bolognesi, foi exibido em festivais nos quatro continentes e agora estreia em todo o Brasil

Depois do aclamado longa Ex-Pajé (2018), o cineasta paulistano  Luiz Bolognesi está de volta à temática indígena com o documentário A Última Floresta, que retrata as crenças, os costumes, a luta e o dia a dia de uma tribo da etnia yanomami na aldeia Watoriki, em Roraima.

O novo filme é baseado no livro A Queda do Céu – Palavras de Um Xamã Yanomami (2015), escrito com o etnólogo francês Bruce Albert junto com o líder da tribo, o pajé Davi Kopenawa Yanomami, que divide com Bolognesi os créditos pelo roteiro de A Última Floresta.

O longa chega à telas brasileiras depois de ser exibido para 10 mil pessoas em 9 festivais nos quatro continentes, tendo sido eleito vencedor pelo público na mostra Panorama, do Festival de Berlim, e vencedor do prêmio de melhor filme no festival Seoul Eco, na Coréia do Sul. O documentário ainda teve uma exibição especial para os Yanomami e foi ovacionado na aldeia.       

Habitat

A Última Floresta se divide em dois aspectos, como se fosse dois filmes dentro de um. O primeiro se dá em uma esfera poética, que retrata com imagens etéreas cheias de nuances o cotidiano que vive em harmonia com a natureza, que divide sua comunidade em três atividades básicas: caça, pesca e artesanato, como cestos de palha.

O filme celebra um dos princípios dos povos indígenas, que é o prazer de viver o aqui e agora. Para eles não faz sentido ter uma agenda ou se preocupar com o dia de manhã, pois o único espaço em que podemos ser felizes é o presente.

A ansiedade, mal tão comum hoje em dia para o homem branco, seria o peso de um passado mal-resolvido ou não plenamente realizado, como alguma mágoa com pai e mãe – os povos indígenas valorizam muito a relação com seus ancestrais, assim como a preservação da natureza.

Conflitos

O segundo e não menos importante aspecto do filme é o de denúncia, o que causa impacto no espectador após uma série de imagens que transmitem tamanha plenitude. Denúncia do desrespeito com a terra e com a história desse povo que já estava no Brasil 500 anos antes do descobrimento do país por Pedro Álvares Cabral.

É citado um episódio de 1993, ano seguinte ao reconhecimento pelo governo brasileiro da Terra Indígena Yanomami, que ficou conhecido como massacre do Haximu, quando 16 indígenas, incluindo mulheres e crianças, foram mortos por garimpeiros de ouro.

O filme é lançado em um momento crucial para o futuro dos povos indígenas, quando grileiros e garimpeiros devastam a Floresta Amazônica em velocidade recorde, e quando se discute o Projeto de Lei 490, que permitiria o contato de empresas privadas com os povos isolados, e o Marco Temporal, que passaria a reconhecer apenas os territórios indígenas demarcados antes da promulgação da Constituição em 1988, o que excluiria a aldeia Watoriki.

Além de ferir os direitos dos povos originários, tais medidas acelerariam ainda mais a devastação do meio-ambiente, já que o que ainda temos de floresta preservada se deve à resistência indígena. 

Tags:
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