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A armadilha de negociar com Deus

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DONNA ALLA FINESTRA

Monkey Business Images|Shutterstock

Marzena Devoud - publicado em 19/04/22

Não negociamos com Deus. Mas quem não tentou um dia negociar com Ele? São Francisco de Sales examina corretamente esta famosa armadilha

Deixar-se ir na vida espiritual não é uma coisa fácil. Priscille não soube como resolver esta dificuldade durante anos. A mulher solteira de 35 anos, que trabalha numa agência de comunicação em Estrasburgo, admite que não conseguia porque tinha medo de seguir a vontade de Deus. Perder o controle da sua vida parecia mesmo perigoso. Até ao dia em que, confrontada com um rompimento amoroso, confiou a sua situação desesperada a Deus.

“Quando Xavier, o meu noivo, disse-me que estava a romper o nosso noivado porque amava outra pessoa, a minha vida desmoronou. Estava desesperada, pensamentos sombrios apoderaram-se de mim, eu só queria uma coisa: deixar de viver. Qual era o sentido de viver sem o homem da minha vida? Sem aquele que eu amava, aquele com quem sonhava casar e com quem queria começar uma família?”

Ela continua:

“Estava convencida de que não havia nada que me pudesse tirar do meu desespero. Mas um dia, um amigo que estava muito preocupado com a minha condição entregou-me uma folha de papel com a oração de abandono do místico italiano Don Dolindo Ruotolo. Muito curta, as suas poucas palavras ressoaram imediatamente comigo: ‘Entrego-me a Ti, deixo-te pensar nisso por mim’. Agarrei-me a isso firmemente, decidindo fazer um ato de abandono a Deus e confiar-lhe o sofrimento pelo qual estava a passar”, explica ela à Aleteia.

Negociação

Após algumas semanas de oração diária, Priscille experimentou uma verdadeira paz interior. “Senti uma espantosa calma interior que tomou o lugar da minha dor, um pouco mais a cada dia. Era delicioso, quase mágico. Tanto assim, que comecei a pedir cada vez mais. Se funcionou tão bem, porque não pedi-lo? E é precisamente aqui, neste tipo de raciocínio como o de Priscilla, que a armadilha de “negociar” com Deus pode aparecer… O que é realmente a “negociação” na vida espiritual?

O Padre Joël Guibert, autor do livro Le secret de la sérénité, revela os sinais de perigo. Podem aparecer naqueles que atingem a serenidade com uma certa atitude despreocupada, que seriam os frutos da sua aceitação e conformidade com a vontade de Deus: “Arriscamo-nos, especialmente no início, a usar o abandono como remédio para ser zen, uma pequena droga para comprar descanso, em suma, uma negociação muito subtil que tende a usar Deus como um meio simples para estar bem”, analisa no seu livro.

Armadilha

Na realidade, é uma verdadeira armadilha para a união com a vontade de Deus. Poder-se-ia imaginar que a mudança para a confiança é fácil, uma vez que tudo o que se tem de fazer é deixá-la acontecer. Mas quando se põe em prática, as coisas complicam. Porque é que isto acontece? Porque a rendição a Deus é como um poço sem fundo. Como explica o Padre Guibert, “em cada etapa da descida na rendição de si próprio, uma certa vertigem nos agarra, não faltam armadilhas e obstáculos que podem paralisar o grande salto: quando perdemos o nosso pé, o reflexo é agarrarmo-nos a títulos muito humanos”.

Obviamente, desejar estar bem não é um pecado. Mas usar Deus como um meio ou uma droga para todos os fins é muito simplesmente “deixar a adoração e entrar no campo da magia”. No final, é tratar o pacto de amor com Deus como uma relação utilitária”, diz o Padre Guibert. Quem não teve a tentação de estender as mãos a Deus e exigir que Ele dê a sua paz a qualquer preço? Quem não tentou negociar com Ele: “Dou-te o meu sim, mas espero que me dês a Tua paz em troca?”

Consolação

São Francisco de Sales, “Doutor do Amor”, insiste: Deus não é um distribuidor automático de coisas e sensações que pedimos. Ele é um “coração divino” que espera ser amado livremente, por amor próprio: “A consolação não é virtude; devemos procurar não as consolações de Deus, mas o Deus das consolações. Ao recusar-se a aceitar uma paz anestesiada, Deus não mostra qualquer dureza para com o homem. Pelo contrário, Ele procura educar no amor, para que saiba amá-lo por si mesmo: “Buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todo o resto vos será dado em acréscimo” (Mt 6, 33).

Pequenos votos de “sim”

Para São Francisco de Sales, quanto mais firme for o “sim” do homem a Deus, mais livres serão as mãos de Deus para consolar como Ele achar conveniente. Quanto mais o “sim” do homem for gratuito, menos prejudicará a sua relação com Deus ao procurar possuí-lo para o seu próprio bem-estar.

“Certamente, devemos querer apenas Deus, absolutamente. Por outro lado, devemos querer pouco tudo o que não é Deus.”

Concretamente, como podemos, então, conseguir avançar para a união da vontade com Deus? São Francisco dá esta pista: Faça pequenos “sim”. De manhã, assim que acordar, comece por se oferecer a Deus com esta ênfase particular: esteja pronto a acolher o que vai acontecer durante o dia. E acima de tudo, viva tudo numa lógica de “sim” à vontade de Deus.

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