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A glória de Deus num refrigerante de laranja

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Michael Rennier - publicado em 04/07/22

O milagroso não está segregado às atividades eclesiásticas ou aos retiros espirituais. Está em todo o lado

A minha memória mais querida de jogar baseball é o refrigerante de laranja depois do jogo.

O jogo em si, claro, tinha os seus encantos. Eu gostava da espera e dos rodízios, era algo emocionante. Aguardava com ansiedade o momento de chegar a minha vez.

Finalmente, tinha de colocar o capacete e fazer as minhas jogadas de treino. Gostava de jogar num verdadeiro campo de terra com bases reais, tal como os meus jogadores preferidos. Uma vez, cheguei até a fazer uma jogada inesquecível. Olhei para a arquibancada para ter a certeza de que a minha avó tinha visto.

Acima de tudo, porém, eu adorava o refrigerante de laranja que tomava depois do jogo. Aquelas noites de Verão escaldantes a jogar bola estão gravadas na minha memória, uma experiência deste lado do Céu.

Para uma criança, cada experiência é grandiosa e cheia de frescor, todos os dias são mágicos, uma oportunidade de vaguear pelo bosque e esbarrar no riacho, organizar um jogo na rua, ou passear até à loja de figurinhas com a sua mesada.

Parece haver uma linha nebulosa que delineia onde termina a infância e começa a idade adulta. Tem a ver com a forma como vemos as nossas experiências diárias.

Milagroso

G.K. Chesterton aponta-o na sua autobiografia ao recordar a sua própria infância, escrevendo: “Não foi apenas um mundo cheio de milagres; foi um mundo milagroso”. É uma distinção sutil mas importante.

Os adultos católicos, por definição, acreditam em milagres. Acreditamos, por exemplo, na Ressurreição de Nosso Senhor e nos sete Sacramentos. Esta visão do mundo leva-nos, como diz Chesterton, a ver o mundo como um lugar em que os milagres podem e acontecem. Para uma criança, porém, a vida não está apenas cheia de milagres. A vida é um milagre. O refrigerante de laranja é um milagre. O carrossel é um milagre.

Compreendo que a distinção adulta entre o ordinário e o extraordinário é necessária, mas penso realmente que as crianças têm um bom ponto de vista.

Dentro de poucos dias é a festa de Santo Irineu, que diz: “A glória de Deus é o homem plenamente vivo”. Ponderar esta afirmação leva-me a considerar o que significa viver uma vida plena, uma vida em que atinja o meu potencial e através da qual a glória de Deus brilhe não só em momentos extraordinários, mas também em momentos ordinários. É como a atitude da infância, que unifica todas as nossas experiências sob a categoria de milagre.

Todos os dias, o sol nasce, e é espantoso. Todas as manhãs celebro a Missa. Como padre católico, estou firmemente empenhado na ideia de que é um milagre. Pense nisso, todos os dias começando com um milagre! Após a Missa, posso ter uma reunião ou algum trabalho de escritório, talvez e-mails que precisem de ser respondidos. Eu consigo ultrapassar isso, sabendo que mais tarde nessa noite temos uma hora santa, outro milagre para esperar no final do dia.

Tempo

Mas e o tempo que medeia? Também ele é colorido pelo milagre. Cheio até à borda com o fogo criativo, poesia e glória de Deus.

Cabe-nos reconhecer a glória à nossa volta, debaixo dos nossos pés, sobre as nossas cabeças, nos rostos que passam no corredor do supermercado. A crença em Deus não é escapista, como se nos preocupássemos de milagre em milagre, esperando desesperadamente o dia em que possamos finalmente ser libertados dos nossos corpos mortais condenados e fugir para o Céu.

O milagroso não é segregado em atividades eclesiásticas ou no ocasional retiro espiritual. Toda a sua vida é sagrada. As vossas ações têm significado – paternidade, amizade, jardinagem, escrita, fazer um bom trabalho no vosso trabalho. Deus brilha através de tudo isto.

Noutro ponto da sua autobiografia, Chesterton fala sobre como acredita que o Céu estará cheio de campos de dentes-de-leão. O que consideramos ervas daninhas a serem erradicadas tem de fato a sua própria beleza e valor especial. Os dentes-de-leão são um milagre.

Mais uma vez, recordo-me de quando eu era criança. Eu era obcecado por dentes-de-leão. Tratei cada um deles como um tesouro. Pensava que as suas flores amarelas eram requintadamente belas, dignas de presentear a minha mãe e, mais tarde, as suas sementes felpudas mereciam justamente flutuar ao vento como pó de fada. Uma semente de dente-de-leão é um pequeno pedaço de magia que cria nova vida em qualquer pedaço de sujidade em que aterrar.

Talvez hoje mais tarde, beba um refrigerante de laranja e sopre sobre um dente-de-leão. Façam o que fizerem, façam-no com Deus. Viva ao máximo – é tudo para a Sua glória.

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