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Direto do Vaticano: Apelo à paz • Julgamento no Vaticano

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Pope Francis leads a mass for the Solemnity of Saints Peter and Paul

Antoine Mekary | ALETEIA

I.Media para Aleteia - publicado em 11/07/22

Boletim Direto do Vaticano de 11 de julho de 2022

  • Sri Lanka: Papa Francisco apela à paz
  • Nova mensagem de Francisco para o povo ucraniano
  • Processo do Edifício de Londres: interrogatório do advogado Nicola Squillace

Sri Lanka: Papa Francisco apela à paz

Por Hugues Lefèvre – Na sequência da queda do Presidente Gotabaya Rajapaksa, do Sri Lanka, o Papa Francisco lançou um apelo à paz à margem do Angelus a 10 de Julho. O país do Sul da Ásia está a enfrentar uma crise económica sem precedentes. “Partilho a dor do povo do Sri Lanka, que continua a sofrer os efeitos da instabilidade política e económica”, disse Francisco da janela do Palácio Apostólico do Vaticano. “Juntamente com os bispos do país, renovo o meu apelo à paz e imploro às autoridades que não ignorem o grito dos pobres e as necessidades do povo”, continuou.

O Sri Lanka está atualmente a viver um período de grande tensão. No sábado, o Presidente Gotabaya Rajapaksa concordou em renunciar. Horas antes, manifestantes invadiram a sua residência enquanto milhares saíam às ruas de Colombo para protestar contra o fracasso dos líderes do país em responder ao colapso económico da ilha.

Confrontos violentos

O Cardeal Arcebispo de Colombo, Malcolm Ranjith, também apelou à renúncia do presidente do Sri Lanka, argumentando novamente nos últimos dias que o político considerava o seu poder político mais importante do que o bem-estar do povo.

O Papa Francisco mostrou recentemente grande preocupação com a situação no Sri Lanka. Em Maio passado, expressou a sua proximidade a uma população que tenta fazer ouvir o seu “grito perante os desafios e problemas sociais e económicos”. Ele estava a reagir às numerosas manifestações contra o governo que tinham conduzido a confrontos violentos e mesmo mortais com a polícia.

Entrevistado pelo I.MEDIA a 25 de Abril, o Cardeal Malcom Ranjith disse que o descontentamento se espalhava pela sociedade cingalesa. “Há uma luta contra o governo por parte de toda a população”, disse ele.

Um país em profunda dívida

O pequeno país, que está fortemente endividado com a China, enfrenta uma crise económica muito grave. “O governo tem gerido tão mal a economia que há muitas famílias a lutar para comer, que se encontram em extrema pobreza”, explicou o cardeal, pedindo à comunidade internacional que não se concentre apenas na crise ucraniana.

A comunidade católica do Sri Lanka também está em conflito aberto com as autoridades do país desde os ataques da Páscoa de 21 de Abril de 2019. O Cardeal Ranjith acusa o governo de então de ter “conspirado” contra cristãos e de utilizar muçulmanos – a outra minoria da ilha, que é predominantemente budista – para “criar tensão”.


Nova mensagem de Francisco para o povo ucraniano

Por Hugues Lefèvre – No domingo 10 de Julho, o Papa Francisco renovou a sua proximidade com o povo ucraniano durante o Angelus. Mais de quatro meses após o início da invasão russa, o Papa reza pelo fim “desta guerra sem sentido”.

“Renovo a minha proximidade com o povo ucraniano, que é diariamente atormentado por ataques brutais contra o povo comum”, disse o Papa Francisco. “Rezo por todas as famílias, especialmente pelas vítimas, os feridos, os doentes”, acrescentou antes de fazer esta invocação: “Que Deus mostre o caminho para acabar com esta guerra sem sentido!

Um desejo de viajar para Kiev e Moscou

Desde o início da guerra na Ucrânia, o Papa Francisco tem multiplicado os seus apelos à paz. A diplomacia do Vaticano está a tentar de todas as formas ajudar a parar os combates. Nos últimos dias, o Papa de 85 anos reiterou o seu desejo de visitar Kiev e Moscovo, “para tentar ajudar alguma coisa”.

A 8 de Julho, o Arcebispo Paul Richard Gallagher, Secretário para as Relações com os Estados, confirmou que uma viagem à capital ucraniana não estava excluída para Agosto. “O Papa continua muito convencido de que se ele pudesse fazer uma visita, também poderia ter resultados positivos”, disse ele ao canal italiano TG1.


Processo do edifício de Londres: interrogatório do advogado Nicola Squillace

Por Camille Dalmas e Isabella Carvalho – A 24ª audiência no chamado julgamento do “edifício de Londres” realizou-se no Vaticano a 8 de Julho e proporcionou a oportunidade de ouvir pela primeira vez o acusado Nicola Squillace. Durante a audiência, o advogado italiano, que desempenhou um papel importante na elaboração dos contratos que transferiram o controle do edifício londrino de Raffaele Mincione para Gianluigi Torzi – em detrimento da Santa Sé, segundo o promotor de justiça – alegou que tinha feito o seu trabalho corretamente.

Presente na audiência, I.MEDIA detalha os elementos mais importantes da sua defesa.

1 – Quem é Nicola Squillace?

Nicola Squillace, um advogado italiano que vive em Londres, trabalhou frequentemente em estreita colaboração com Gianluigi Torzi, que era um dos seus clientes. O advogado explica que este último lhe telefonou em Novembro de 2018 para lhe dizer que iria precisar dos seus serviços na operação para recuperar o controle do edifício 60 da Avenida Sloane, para o qual o Secretário de Estado o tinha mandatado.

Nicola Squillace informa que monsenhor Alberto Perlasca, chefe do escritório administrativo da Secretaria de Estado, enviou Fabrizio Tirabassi e Enrico Crasso a Londres entre 20 e 22 de Novembro de 2018, para participar nas discussões que levariam à criação de dois contratos para devolver o controle do edifício ao Vaticano. Ao longo dos três dias, Nicola Squillace explica que elaborou vários projetos de contratos em nome da Gutt SA, um fundo propriedade de Gianluigi Torzi que costumava “abrigar” a propriedade uma vez tomada a cargo de Raffaele Mincione.

Os contratos finais deram a Gianluigi Torzi o controle total do edifício, a expensas da Secretaria de Estado, uma vez que ele estava contratualmente na posse das 1.000 ações com direito a voto, tendo a Santa Sé obtido as restantes 30.000 ações sem direito a voto.

De acordo com as acusações, esta operação permitiu a Gianluigi Torzi extorquir 15 milhões de Euros do Vaticano e finalmente vender as suas ações. Nicola Squillace é acusado pelo poder judicial do Vaticano de enganar a Secretaria de Estado ao trabalhar com Torzi para lhe dar o controle do edifício. É acusado de fraude, desvio de fundos e lavagem de dinheiro.

2 – Faturas por pagar da Santa Sé

O acusado iniciou o interrogatório com uma declaração espontânea na qual, através de uma projeção, narrou as diferentes fases de elaboração dos contratos entre 20 e 22 de Novembro de 2018. Sete rascunhos foram feitos antes de se chegar ao acordo final, que seria finalmente assinado por monsenhor Perlasca. Squillace diz que tudo foi “discutido ponto por ponto” com as pessoas presentes: Fabrizio Tirabassi, Gianluigi Torzi, Enrico Crasso e Manuele Intendente, outro advogado presente nas reuniões.

Uma vez assinado o contrato, o advogado teria cobrado da Secretaria de Estado £350.000 pelos seus serviços. Afirma que embora a Secretária de Estado “nunca tenha contestado” estas taxas, ela também “nunca pagou”.

3 – Nicola Squillace diz ter avisado a Santa Sé

Nicola Squillace afirma que durante os dois dias de negociações, Tirabassi assegurou-lhe que mantinha monsenhor Perlasca, que permaneceu em Roma, constantemente informado dos desenvolvimentos. Squillace lembra-se “com certeza” de ter trocado pelo menos uma conversa telefónica com Perlasca sobre certos termos em que discordava nos projetos de contratos e que ele diz ter tido em conta na versão final.

Durante estes intercâmbios, Nicola Squillace afirma que os representantes da Secretaria de Estado estavam cientes da transferência das 1.000 ações com direito a voto para Gianluigi Torzi. Ele afirma que perguntou: “Tem a certeza de que as ações com direito a voto só vão para um [lado] e não para o outro”? E afirma que Fabrizio Tirabassi lhe teria respondido afirmativamente, assegurando-lhe que tinham outras “situações” em Londres com estruturas administrativas semelhantes.

Esta versão dos acontecimentos contradiz os testemunhos de Fabrizio Tirabassi e Enrico Crasso, que negaram ambos ter tido esse conhecimento da transferência das 1.000 ações antes da assinatura dos contratos e afirmaram que só o realizaram depois.

Nicola Squillace declarou que sempre pensou que monsenhor Perlasca tinha a possibilidade de assinar, especialmente o primeiro acordo, que não envolvia qualquer obrigação legal, apenas compromissos mútuos, com um prazo exclusivo. “A Santa Sé pode retirar-se deste acordo em qualquer altura”, disse ele.

4 – Um conflito de interesses?

O juiz Giuseppe Pignatone perguntou a Nicola Squillace se não era um problema o fato de ele ser simultaneamente advogado de Torzi e encarregado de proteger os interesses da Secretaria de Estado nas negociações – tendo Crasso e Tirabassi vindo a Londres sem advogado.

Squillace considerou que representava a Gutt SA, o fundo de Torzi escolhido pela Secretaria de Estado para a operação. Além disso, salientou que todos os pontos tinham sido discutidos com todas as partes presentes.

5 – Uma ligação anterior com o edifício de Londres

Nicola Squillace declarou que antes de Torzi o contatar, a sua firma de advogados já tinha estado envolvida com o edifício na 60 Sloane Avenue. De fato, em Fevereiro de 2018 já tinha examinado o edifício em nome de uma empresa italiana.

Em Setembro do mesmo ano, o arquiteto Luciano Capaldo – associado de Gianluigi Torzi, que mais tarde serviu como funcionário do Secretário de Estado e foi mais tarde ouvido como testemunha na investigação – apresentou-os a um “homem árabe” interessado no edifício, cuja identidade não pôde revelar devido ao sigilo profissional. O seu perfil, contudo, corresponde a um certo “Sheikh Salah” a quem Raffaele Mincione, durante um interrogatório anterior, tinha explicado que tinha sido apresentado em Setembro de 2018, e que alegadamente lhe tinha confiado que estava interessado em adquirir o edifício.

6 – As próximas audiências

Estão ainda agendadas duas audiências para 14 e 15 de Julho, para completar os interrogatórios de Fabrizio Tirabassi e Nicola Squillace. O julgamento será então interrompido durante todo o mês de Agosto. No Outono, o julgamento será retomado com audiências dedicadas às testemunhas. As audiências estão já agendadas para 28, 29 e 30 de Setembro e depois 12, 13, 14, 19, 21, 27, 29 de Outubro.

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