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Moçambique: Religiosa assassinada em ataque armado que destruiu missão católica

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La Tenda Tv - Il tè con i missionari via Youtube

Reportagem local - publicado em 11/09/22 - atualizado em 11/09/22

“Fomos assaltados esta noite, partir das 21 horas. A Irmã Maria (de Coppi) foi logo morta com um tiro na cabeça. As outras conseguiram fugir"

Uma irmã italiana, de 83 anos de idade, foi cruelmente assassinada a tiro na noite de terça-feira durante um ataque de homens armados à missão de Chipene, na diocese de Nacala. 

A Irmã Maria de Coppi, comboniana, teve morte imediata. Durante o ataque, que começou às 21 horas e prolongou-se até às 2 horas da madrugada, foi incendiada e destruída não só a Igreja da missão, assim como a escola, centro de saúde, a casa das religiosas, a biblioteca, o lar dos rapazes e das raparigas e viaturas. “Destruíram tudo”, diz o Bispo de Nacala, D. Alberto Vera, à Fundação AIS. 

Na ocasião, estavam pelo menos mais duas irmãs e dois sacerdotes em Chipene. Com excepção de uma religiosa espanhola e de uma irmã do Togo, todos os outros são de nacionalidade italiana e todos conseguiram fugir para as matas juntamente com os jovens que se encontravam na missão católica. “Roubaram o sacrário, vandalizaram parte da sacristia e o sacrário, à procura de qualquer coisa, provavelmente dinheiro”, disse ainda D. Alberto, ao telefone para Lisboa. 

Momentos angustiantes

D. Alberto soube do ataque ainda durante a noite de terça-feira através de uma mensagem do padre Lorenzo, um dos sacerdotes que estava em Chipene. Na mensagem, a que a Fundação AIS teve acesso, o sacerdote descreve os momentos angustiantes por que passou quando os terroristas chegaram à missão. “Fomos assaltados esta noite, partir das 21 horas. A Irmã Maria (de Coppi) foi logo morta com um tiro na cabeça. As outras conseguiram fugir, assim como as últimas meninas que estavam no lar. Todos os rapazes do lar já tinham saído.” O sacerdote informou ainda o Bispo de que procuravam sair de Chipene. A mensagem termina com um retrato desolador: “Tudo foi queimado e ainda está a arder…” 

Não foi fácil compreender de imediato a dimensão da destruição causada. D. Alberto Vera conta que “cortaram a linha telefónica”, o que impossibilitou as comunicações durante várias horas. O ataque à missão católica ocorreu apenas poucas horas depois de algumas localidades na província de Nampula terem sido alvo também da violência terrorista, com dezenas de casas queimadas e pessoas assassinadas, situação que estava a inquietar fortemente as populações. 

A notícia do ataque correu mundo e chegou rapidamente ao Vaticano. Uma das primeiras mensagens que D. Alberto recebeu foi precisamente da Santa Sé, do cardeal Michael Czerny, prefeito do Dicastério para a Migração dos Povos, que lhe transmitiu a proximidade do Santo Padre. 

Ato terrorista

Nas declarações à Fundação AIS, D. Alberto Vera diz acreditar que não se tratou de um acto terrorista contra a Igreja, mas sim uma forma de chamar a atenção internacional. “Este é um grande golpe porque estavam lá dois padres italianos, uma irmã espanhola, duas irmãs italianas e outra irmã africana de Togo… então estarão a buscar alguma publicidade internacional. Mas não penso que seja algo contra a Igreja. O que fizeram foi terror, mas não foi próprio de um grupo terrorista.” 

Seja como for, a notícia do ataque deixou em sobressalto todos os amigos dos padres e das irmãs que viviam na missão moçambicana. É o caso da Irmã Arlete Santos, uma comboniana portuguesa, de 71 anos de idade, que conheceu a religiosa assassinada pelos terroristas. 

“Conheci a Irmã Maria já há uns anos. A memória que tenho dela é que era uma irmã muito calma, muito serena, uma irmã alegre… Das notícias que sabemos, apenas nos disseram que ela tinha estado de férias em Itália, e que estava disposta a dar a própria vida na missão. Evidentemente que para ela não era desconhecida a situação [que se está a viver em Moçambique]”, acrescentou, ao telefone, desde a cidade da Maia, onde vive agora após ter regressado da República Democrática do Congo em 2013, onde trabalhou durante 33 anos. 

(Com Fundação AIS)

Tags:
ÁfricaMortePerseguição
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