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Mais de uma centena de religiosos mortos, raptados ou presos em 2022

Bispo em igreja atacada

Aid to the Church in Need

Reportagem local - publicado em 01/01/23

Nigéria, em África, China, na Ásia, e Nicarágua, na América Latina, são países em destaque quando se olha para o ano que agora termina e se procura perceber como foi a violência contra a Igreja em todo o mundo. O balanço é assustador

Ao longo dos 12 meses de 2022, houve o assassinato, pelo menos, de 17 sacerdotes e irmãs. De acordo com dados recolhidos pelo Departamento de Comunicação da Fundação AIS Internacional, só na Nigéria foram mortos sete sacerdotes. Quatro, no desempenho das suas missões na Igreja, e mais três que acabariam assassinados após terem sido vítimas também de rapto. Em outros dois países houve também mortes violentas a registar. No México, três padres foram vítimas dos cartéis da droga que têm o país sequestrado pela crueldade e medo, enquanto na parte oriental da República Democrática do Congo dois sacerdotes foram baleados mortalmente também durante o corrente ano.

O continente africano tem sido palco de muita desta violência contra a Igreja. Sinal disso, foi em África que perderam a vida quatro das cinco religiosas assassinadas em 2022 no desempenho das suas missões. A única excepção foi para o Haiti, onde a Irmã Luisa Dell’Orto foi morta a tiro em Junho. Todos os outros casos ocorreram em países africanos. As Irmãs Mary Daniel Abut e Regina Roba estavam no Sul do Sudão, em Agosto, quando foram mortas; a Irmã Mari de Coppi, foi assassinada na missão de Chipene, em Moçambique, em Setembro; e a Irmã Marie-Sylvie Vakatsuraki foi morta em Outubro, na República Democrática do Congo.

Quatro dezenas de raptos

Sinal também da violência contra a Igreja é o número elevado de raptos de sacerdotes e irmãs. Durante 2022, houve um total de 42 padres sequestrados em diferentes países, dos quais 36 acabaram por ser libertados. Em três situações, na Nigéria, os sacerdotes acabaram por ser assassinados, e há ainda a considerar três outros padres que continuam desaparecidos, vítimas também de rapto. Dois na Nigéria, e um no Mali. 
Neste caso em particular, continua desconhecido o paradeiro do missionário alemão Hans-Joachim Lohre, parceiro do projectos da Fundação AIS e que foi raptado em Novembro. Também continuam desconhecidos os paradeiros dos padres Joel Yougbaré, do Burkina Faso, e John Shekwolo, da Nigéria, ambos sequestrados em 2019.

A Nigéria é o país onde houve mais raptos. Até ao momento registaram-se 28 casos ao longo de 2022, sendo que três ocorreram já em Dezembro. No entanto, o pior mês foi mesmo Julho, com sete situaões. Por países, seguem-se os Camarões e o Haiti. O país africano, que atravessa uma grave crise por causa do movimento independentista da região anglófona, teve seis casos, cinco dos quais em Setembro, e o Haiti registou cinco situações, todas elas decorrentes também da violência que o país está a viver, sucumbindo ao terror de inúmeros grupos armados. Todos eles seriam postos em liberdade. Também na Etiópia e nas Filipinas, embora apenas com um caso em cada país, houve situações de sequestro de sacerdotes.
Também irmãs foram vítimas de situações de sequestro ao longo de 2022. E também aqui a Nigéria surge em destaque, com sete ocorrências, seguindo-se o Burkina Faso, com um caso, tal como nos Camarões. Felizmente, todas foram libertadas.

Sacerdotes e bispos presos

Além de assassinatos e sequestros há ainda, pelo menos, 32 casos de pessoas ligadas à igreja e que foram detidas, sob ameaça, ao longo do ano.
Os casos mais recentes referem-se a quatro sacerdotes da Igreja Católica Grega Ucraniana que se encontravam a trabalhar em regiões ocupadas pela Rússia e que foram detidos no exercício das suas actividades pastorais. Dois foram, entretanto, libertados e ‘deportados’ para território ucraniano, enquanto os outros dois permanecem detidos. Ambos enfrentam acusações de terrorismo e há, por isso, o receio de que possam estar a ser torturados na prisão.

Outro país no centro das preocupações da Fundação AIS é a Nicarágua. Onze membros do clero foram detidos ao longo dos últimos meses em que se registou uma crescente hostilidade por parte das autoridades face à Igreja. Entre os detidos há, pelo menos, dois seminaristas, um diácono, um bispo e sete sacerdotes. D. Rolando Álvarez, Bispo de Matagalpa, que está em prisão domiciliária desde 19 de Agosto, deverá comparecer em tribunal no próximo dia 10 de Janeiro onde vai enfrentar a acusação de “atentado à integridade nacional”.

Há também relatos de sacerdotes que foram proibidos de deixar as suas paróquias, e de, pelo menos 10 clérigos que foram impedidos pelas autoridades de regressar ao país. Ao longo do corrente ano, o governo de Daniel Ortega expulsou também o núncio apostólico, D. Waldemar Stanislaw Sommertag, forçou a saída do país das Missionárias da Caridade, a congregação fundada pela Santa Madre Teresa de Calcutá, e provocou também o encerramento do canal de televisão da Conferência Episcopal e de outras seis estações de rádio católicas. Noutro país, a Eritreia, em África, registou-se também a prisão de um bispo e de dois padres. Até ao momento não há qualquer explicação das autoridades sobre a sua situação.

Também difícil ou mesmo quase impossível de apurar é o número de padres e bispos católicos detidos na China em 2022. De acordo com informações recolhidas pela Fundação AIS Internacional, os clérigos da chamada Igreja Clandestina são repetidamente detidos pelas autoridades durante algum tempo, como medida de pressão para aderirem antes à Igreja aprovada pelo Estado. Entre Janeiro e Maio deste ano de 2022, pelo menos dez padres desapareceram de contacto e todos eles pertencem à comunidade de Baoding, na província de Hebei. Para além destes casos, há a registar ainda o caso de um padre que foi preso em Myanmar durante os protestos anti-regime, No final de 2021, na Etiópia, várias freiras e dois diáconos foram presos durante o conflito do Tigray e posteriormente libertados já em 2022.

Um apelo para o ano novo

A Fundação AIS lança um apelo a todos os países envolvidos para que se empenhem em garantir a segurança e a liberdade dos padres, religiosas e outros agentes pastorais, que servem indiscriminadamente os mais necessitados e tantas vezes em situações de perigo. A Ajuda à Igreja que Sofre pede também a todos os seus amigos e benfeitores em todo o mundo para que rezem por aqueles que permanecem em cativeiro, bem como pelas comunidades e famílias dos que perderam as suas vidas ao serviço da Igreja ao longo deste ano de 2022.

(Com AIS)

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