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A fé não pode ficar nas meras palavras: deve ser testemunhada com a vida

Homem rezando: fé não é meras palavras

PeopleImages.com - Yuri A | Shutterstock

Pe. Luigi Epicoco - publicado em 13/01/23

"É grande a diferença entre autoridade e autoritarismo. Este último só desperta medo, espanto. Já a autoridade desperta respeito pela profusão de beleza, verdade, credibilidade - e não por medo"

Do Evangelho de São Marcos:

“Dirigiram-se para Cafarnaum. E já no dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e pôs-se a ensinar. Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas. Ora, na sinagoga deles achava-se um homem possesso de um espírito imundo, que gritou: Que tens tu conosco, Jesus de Naza­ré? Vieste perder-nos? Sei quem és: o Santo de Deus! Mas Jesus intimou-o, dizendo: Cala-te, sai deste homem! O espírito imundo agitou-o violentamente e, dando um grande grito, saiu. Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: Que é isto? Eis um ensinamento novo, e feito com autoridade; além disso, ele manda até nos espíritos imun­dos e lhe obedecem! A sua fama divulgou-se logo por todos os arredores da Galileia” (São Marcos 1,21-28).

Não era estranho, no tempo de Jesus, encontrar pessoas ensinando na sinagoga, principalmente no sábado. Mas quando é Jesus quem o faz, o Evangelho sublinha uma peculiaridade:

Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.

É a grande diferença entre autoridade e autoritarismo. Este último funciona apenas despertando medo, espanto. Já a autoridade é como uma atração que desperta respeito pela profusão de beleza, de verdade, de credibilidade – e não por medo.

Mesmo na Igreja podemos respeitar-nos talvez por vínculos baseados no medo, no poder, na possibilidade que o outro tem de decidir sobre a nossa vida, ou simplesmente no serviço que fazemos dentro da comunidade. Mas isso negaria a lógica do Evangelho, que se propaga pelo testemunho, ou seja, pela genuína autoridade. O mal odeia as pessoas que têm genuína autoridade porque elas não alimentam a lógica do mundo.

Não é por acaso que, logo após sublinhar a qualidade da pregação de Jesus, o evangelista Marcos acrescenta a reação de um endemoniado:

Ora, na sinagoga deles achava-se um homem possesso de um espírito imundo, que gritou: Que tens tu conosco, Jesus de Naza­ré? Vieste perder-nos? Sei quem és: o Santo de Deus! Mas Jesus intimou-o, dizendo: Cala-te, sai deste homem! O espírito imundo agitou-o violentamente e, dando um grande grito, saiu.

Paradoxalmente, o diabo falou a verdade: Jesus é verdadeiramente o Santo de Deus, mas a verdade falada pelo diabo não edifica, mesmo quando é ortodoxa. Jesus o silencia porque a fé nunca deve ser dita apenas com palavras, mas sempre com a vida.

Dizer as coisas certas e viver em incoerência com elas é típico do diabo. Isso deve fazer-nos pensar muito.

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