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O que falar e o que não falar na presença dos filhos pequenos

Menino fechando os olhos com vergonha

Shutterstock - Krakenimages.com

Mar Dorrio - publicado em 26/01/23

Uma mãe de doze filhos traz uma lista de assuntos e dicas para que os pais saibam lidar com questões delicadas, antes de fazerem besteira

Quando eu era pequena, tinha dois amigos, dois irmãos com quem eu partilhava as tardes de verão: nadávamos, remávamos e pescávamos.

Numa dessas tardes, enquanto estávamos sentados à beira do rio a filosofar sobre a vida, veio uma rapariga da nossa vizinhança (acho que não tinha dez anos) e perguntou a um dos meus amigos se o Jaime, um dos mais velhos, era seu irmão. “Claro!”, ele respondeu surpreso. A garota retrucada respondeu, sorrindo: “Não, ele é seu meio-irmão.” 

Depois, o tio dos meus amigos, com toda a delicadeza que a situação permitia, explicou que, de fato, o pai deles era casado e tinha três filhos quando a primeira esposa faleceu. Então, ele se casou novamente e nasceu o irmão mais novo. Como você pode imaginar, meus amigos ficaram chocados e a garota impertinente saiu encantada com o desenrolar dos acontecimentos.

Devemos nos preocupar com esse tipo de situação incômoda, que pode ocorrer após a morte de um parente, de um divórcio ou de situações delicadas que envolvem famílias próximas às nossas.

Não devemos fazer como os infelizes pais daquela menina, que, sem nenhum pudor ou precaução, contaram alguns fatos diante dela sem tê-la preparado para ser prudente, sem tê-la conduzido pela mão no caminho da empatia, explicando-lhe: “Não deixe que eles saibam, eles têm o direito de serem informados pelo pai ou pela mãe, da forma que julgarem conveniente e no momento que julgarem adequado.”

Em nossas casas, informações sigilosas sobre outras pessoas podem escapar sem intenção maliciosa, mas devemos aproveitar a oportunidade para educar na caridade.

Sexualidade

O tema mais delicado para as crianças é, sem dúvida, a sexualidade. Temos que deixar bem claro como funcionam as coisas neste campo. Os rostos serão o termômetro. Se eles continuarem perguntando, responda. Pare quando eles não quiserem mais saber, quando eles não puderem mais olhar para o seu rosto.

Certa vez, enquanto conversava com um dos doze (meus doze filhos), percebi que ele estava claramente atento e quieto, e pensei: “Expliquei tudo certinho para ele. Acho que está claro”. Mas sua pergunta final me fez pensar: “O bebê é feito em um hospital, certo?” 

Surpresa, dei a seguinte resposta: “Também! Também pode ser feito em um hospital…”. Por que não?

Dinheiro

Dinheiro é outro assunto que devemos tratar em casa com simplicidade e sinceridade. Não temos que fazer nossos filhos sofrerem, mas temos que ensinar a eles algo básico sobre a vida. Se ganhamos oito em casa, não devemos gastar mais do que seis. Precisamos ficar felizes ao sabermos que não passaremos o próximo Natal no Palácio de Buckingham. Não devemos ter medo ou lamentar por dizer a eles que algo não é para nós. 

Raiva

A raiva dos pais é uma daquelas questões que nunca devemos mostrar na frente de nossos filhos. Quando ela surge, devemos buscar a intimidade: sair de casa, ir para o nosso quarto… Se a raiva nos transbordou e explodiu na frente deles, então também teremos que pedir perdão na frente deles.

São Josemaria Escrivá dizia:

“Nunca brigue na frente de seus filhos. Você os fará sofrer e eles tomarão partido, contribuindo para aumentar sua desunião.”

Críticas externas

As explosões familiares diante das críticas externas são outra questão difícil de administrar, porque a fronteira entre o compreensível e o excessivo é muito peculiar.

É normal, justo e necessário desabafarmos quando chegarmos em casa, e se alguém nos incomodar ou nos machucar, nossa família tem que nos ouvir, nos acolher, nos encorajar e ter empatia conosco. Mas, depois de desabafar, dar uma risadinha e deixar claro que todos fomos feridos, devemos ser capazes de orar pela pessoa que nos feriu.

Fofoca

E agora temos que falar do que não é bom: a fofoca.

As casas onde fofocas costumam ser produzidas tornam-se os escritórios do diabo, de onde é gravado o seu podcast anti-caridade. Não vamos aumentar o perímetro da quinta dos nossos filhos no inferno, tornando-os ouvintes e apresentadores desse podcast. 

Vamos tomar cuidado com as conversas em casa. Por que não?

Tags:
CriançasEducaçãoFamíliapais
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