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FBI destacou agentes para espionar paróquias católicas, alegando combate ao extremismo

FBI

Andrey_Popov | Shutterstock

Francisco Vêneto - publicado em 19/04/23

Documento interno traçou perfil de "católicos tradicionalistas" como "ameaça", gerando repulsa de parlamentares e exigindo retratação do órgão federal de investigações

O FBI, unidade de investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, elaborou um memorando de 8 páginas em que compara os católicos tradicionalistas com extremistas potencialmente violentos no tocante a questões raciais.

Com essa premissa genérica, o órgão procurou justificar ações de espionagem alegadamente voltadas a mitigar ameaças. “O crescente interesse de extremistas violentos por motivos raciais ou étnicos (RMVEs) na ideologia católica tradicionalista radical (RTC) certamente apresenta novas oportunidades para um plano de mitigação de ameaças”, diz o documento, conforme matéria da agência de notícias InfoCatólica (em espanhol).

O documento interno do FBI traça um perfil do que seus autores definem como “ameaça” representada pelos católicos tradicionalistas. Entre as características desse grupo supostamente “perigoso” estariam a preferência pela Missa em latim e a suposta rejeição ao Concílio Vaticano II.

O procurador-geral do estado norte-americano da Virgínia, Jason Miyares, descreveu o estilo do memorando como próprio de uma polícia político-religiosa ao estilo “da Cuba comunista”. Em fevereiro, acompanhado por outros vinte procuradores-gerais de outros estados da federação, Miyares solicitou formalmente que o diretor do FBI, Christopher Wray, “apresentasse todos os materiais” relacionados ao memorando e “ordenasse de forma imediata e inequívoca” que os servidores da agência “não perseguissem” os cidadãos americanos “com base nas suas crenças e práticas religiosas”.

O FBI chegou a retratar-se pelo teor do memorando, que foi qualificado por críticos como subjetivo, preconceituoso, ideologicamente enviesado e ofensivo.

No entanto, os promotores que solicitaram explicações do FBI declararam duvidar que o “controle de danos” tivesse sido feito por iniciativa da própria entidade caso o documento não tivesse sido vazado.

Jason Miyares afirmou a propósito:

“A eliminação do documento pelo FBI (…) e a suposta ‘revisão’ do processo que o criou não nos garante de forma alguma que este memorando não reflita um programa mais amplo de vigilância secreta no tocante aos católicos americanos ou a outros fiéis religiosos, bem como de infiltração nos seus locais de culto. Isto nos garante apenas que o FBI se envergonha pela divulgação pública do conteúdo do memorando”.

O Congresso norte-americano também reagiu ao escândalo.

Um Comitê da Câmara dos Deputados ouviu o depoimento de um informante do FBI, Kyle Seraphin, segundo o qual existem documentos que demonstram que a unidade de investigação monitorou católicos tachados de “radicais”, em particular os que frequentam a Santa Missa celebrada em latim.

O senador republicano Josh Hawley declarou, via rede social, ter perguntado especificamente ao procurador-geral Merrick Garland “se o FBI estava mirando as paróquias católicas e ele disse que não”. No entanto, Hawley questiona essa resposta registrando que o FBI teria destacado agentes disfarçados em várias paróquias.

O deputado Jim Jordan, também republicano, afirmou que é preciso “ensinar uma lição sobre a Primeira Emenda” aos responsáveis por estas ações do FBI. Ele se refere ao dispositivo constitucional dos Estados Unidos que impede o governo, entre outras medidas, de proibir o livre exercício da religião e de limitar as liberdades de expressão, imprensa e livre associação pacífica. O parlamentar enfatiza que, apesar dessas proibições explícitas, o memorando “fala especificamente” em destacar agentes disfarçados para espionar paróquias católicas e, mesmo assim, “foi aprovado por dois analistas seniores e pelo principal advogado desta divisão”.

Jordan acrescentou:

“No dia em que celebramos a Ressurreição de nosso Salvador, milhões de americanos vão à igreja. E se esta ação do FBI tivesse sido realizada? Haveria pessoas na igreja espionando os paroquianos, os companheiros que vão à igreja. Era isso que eles estavam procurando fazer. Mais assustador ainda foi o que eles fizeram com a Primeira Emenda”.

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