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Padre Xavier Bizard: Como se deixar amar por Cristo para mudar o mundo

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© Père Xavier Bizard

Visite du père Xavier Bizard au domicile des fidèles.

Bérengère de Portzamparc - publicado em 25/04/23

Sacerdote da comunidade Emmanuel, o Padre Xavier Bizard passou quase vinte anos no exterior, entre Europa e a América do Sul. Ele conta como sua vida de sacerdote evoluiu ao longo do tempo, tudo graças ao amor de Cristo que o conquistou aos 26 anos de idade

Ouvir o Padre Xavier Bizard é entender que a vida de um padre não é um longo rio tranquilo e que, como qualquer vocação, ela evolui com o tempo e graças aos encontros da vida, sob o olhar de Deus.

O Padre Xavier, hoje com 56 anos, teve muitos encontros desde sua ordenação na diocese de Tours, aos 33 anos, e depois de vinte anos no exterior, na Bélgica e na Itália, depois no Brasil e na Colômbia. De volta à França, desta vez em Lyon, ele relata em um livro intitulado Quand l’Amour m’a saisi (Quando o amor me agarrou), seu encontro relâmpago e decisivo com Cristo em Paray-le-Monial, aos 26 anos, e a frase que recebeu e que mudou o curso de sua vida: “Aqui está este Coração que tanto amou os homens”.

Ele também relembra sua vocação como padre e a evolução dessa vocação, graças a suas experiências no exterior. Para ele, sua vida como padre passou por diferentes estágios, o que lhe permitiu crescer e olhar a Igreja e o mundo de forma diferente. Com uma certeza: manter sempre Deus no centro.

Jovem padre

“Maria, minha mãe, sempre me permitiu viver como um filho do céu”, conta ele à Aleteia. Quando jovem padre, a comunidade Emmanuel o enviou para o seminário em Namur, na Bélgica, onde ele foi responsável pela formação dos seminaristas. “Foram anos intensos, com muitas atividades de todos os tipos, uma espécie de adolescência em minha vida como padre, onde eu era como um irmão mais velho. Depois de cinco anos em Roma, o Padre Xavier Bizard foi enviado ao Brasil, a um bairro de favela em Salvador, onde viveu pobre entre os pobres, sem outra missão específica que não fosse o sacerdócio.

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Preparação da Missa

“Foi lá que descobri minha missão de ‘pai’, e onde entendi por que os padres eram chamados assim”, confidencia o homem quadrilíngue (inglês, italiano, português, espanhol), que retornou à França em janeiro de 2022 após nove anos no Brasil e um ano na Colômbia. “Aprender uma língua, viver em um clima diferente que nos deixa cansados, descobrir outra cultura e outro modo de vida, isso também foi um difícil para mim e, no entanto, um passo importante no amadurecimento da minha vocação sacerdotal”, analisa agora.

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Em Salvador

“Minha vida como homem e minha vida de fé evoluíram ao longo dos anos, e é hoje que compreendo melhor a força de nosso sacerdócio, a necessidade de nosso celibato e o amor que devemos compartilhar com aqueles que nos rodeiam para tornar conhecido e irradiar o amor de Cristo, aquele que nos guia todos os dias.

Sempre colocando Deus no centro

Em seus anos na América do Sul, o Padre Xavier também integrou outra maneira de colocar Deus no centro de sua vida. “Lá, durante todo o dia, nós nos confiamos a Deus, falamos de Deus em cada frase de nossa vida diária, da manhã à noite, ‘agradeço a Deus por este dia’, ‘até amanhã, se Deus quiser’, todos os domingos na missa celebramos aniversários para agradecer a Deus por nos conceder mais um ano. Assim, o padre confessa sua frustração, desde seu retorno à França, por não ouvir falar de Deus em cada esquina.

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Felizmente para ele – confidencia com um sorriso –, agora está de volta a uma paróquia popular em Lyon, onde muitas nacionalidades se encontram e com quem ele pode retomar esse modo de falar. Ele até começou a introduzir uma bênção de aniversários no final da missa, mas “uma vez por mês, por enquanto”.

“Eu tinha me esquecido um pouco na França de como Deus é mantido longe da vida cotidiana, principalmente pela secularização da sociedade. Lá, era mais fácil viver, eu tinha a impressão de estar unificado, e ainda tenho que me conter para não dizer ‘Glória a Deus’ nas ruas de Lyon!”

A partir dessa secularização, o padre ainda analisa, Deus não está mais no centro, “se ele não é o autor de nossas vidas, então as vidas são menos sagradas”, o que é demonstrado pelas novas iniciativas de lei sobre o início ou o fim da vida.

“Isso me entristece muito, assim como os escândalos de pedofilia na Igreja, que provocaram grande raiva em mim. Mas, apesar dessas feridas e decepções, o Padre Xavier diz em alto e bom som: “Entrego minhas mãos para Deus, é ele quem realiza”. E ele deseja dar um conselho aos jovens, especialmente àqueles que estão procurando por si mesmos ou que estão perdidos: “Deixe-se amar por Cristo, deixe-se transformar por ele, é assim que mudaremos o mundo!”

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