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A mentira que você acredita ser verdade

satanás

© Catherine Leblanc / Godong

Julia A. Borges - publicado em 14/05/23

O erro é achar que o demônio é o pai da mentira e ficar somente nessa percepção básica

C.S Lewis, em seu livro Cartas de um Diabo a seu Aprendiz, traz algumas reflexões acerca da atuação do inimigo na vida do ser humano e, ainda mais veementemente, na vida do cristão. É possível afirmar que esta obra foi a primeira a obter grande sucesso e tornou o autor conhecido mundialmente. Lewis, que se converteu ao cristianismo após passar anos de sua vida se dizendo ateu, é autor de uma excelente bibliografia habilitada a aconselhar e orientar o leigo que iniciou há pouco tempo na caminhada cristão ou até mesmo aquele que já se encontra na busca pela santidade há muito tempo. O título original é The Screwtape Letters, ou seja, cartas de Screwtape – nome dado, por Lewis, ao demônio mais experiente. A obra se resume em diversas cartas do “mestre” ao seu aprendiz, com lições a fim de mostrar ao novato como levar almas para o inferno. 

Talvez seja possível inferir que muito do que é colocado no livro seja baseado no próprio caminho de conversão de C.S Lewis. A primeira carta fora publicada em maio de 1941, em plena Segunda Guerra Mundial, e o eixo central pode ser resumido com a seguinte frase encontrada na Bíblia (cf Jo 8:44):

Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira.

Mentira aprisiona

A mentira aprisiona o ser humano, e conhecer as grades que nos aprisionam é o primeiro passo para sair das amarras do inimigo; e o único meio para obter o sucesso pretendido é através da verdade. O verdadeiro conhecimento é conseguido pelo meio de estudos, argumentações, debates, leituras e escutas desde pensadores materialistas aos santos da Igreja. O personagem diabólico, Screwtape, chega a afirmar que “o problema da argumentação é que ela transporta toda a batalha para o território do Inimigo”, pois Deus é a Verdade. E o demônio mais ajuizado e cauteloso não deve nunca sair da sua esfera de atuação, que se configura, portanto, no oposto da veracidade. e, na carta, é o âmbito da propaganda.

E a mentira se encontra, em muitas casos, mascarada pela honestidade e mantendo-se no âmbito da propaganda, meio com o qual não há em si a busca a verdade como fim, mas manipula todos os recursos para o convencimento de uma ideia.   Atualmente, por mais doloroso e cruel que possa ser, a busca pela verdade tornou-se obsoleta e passou-se a buscar representações que possam ser fáceis de aceitar e agradar, desviando, assim, o indivíduo daquele caminho estreito que Jesus falava. Um caminho pelo qual é indispensável ter a ciência, a verdadeira ciência, como auxiliadora, porque é através de investigações profundas que a verdade pura e simples vai se revelar. Entretanto, o que se tem visto atualmente é a busca por respostas com pinceladas de verniz científico, ou seja, uma falsa ideia de estar totalmente atualizado. Como acrescenta o Padre Paulo Ricardo em seu curso acerca deste livro: “ O importante, numa palavra, é que não seja verdadeira ciência, mas propaganda com ares de consenso científico”.

Distrações

Quem busca caminhar na estrada de Jesus sabe das dificuldades encontradas, e Lewis atenta para as distrações que vão surgindo ao longo do caminho; e as pseudoverdades fazem parte desses inúmeros espinhos que aparecem no decorrer dessa estrada. Mas não cabe apenas ignorá-los, afinal, para combatê-los é necessário, antes de tudo, entendê-los. E tal compreensão perpassa por algumas veredas, dentre as quais as escolhas que fazemos todos os dias ao acordar. 

Relembrando a passagem de Marta e Maria, é possível extrair muitos ensinamentos desse trecho bíblico. Sim, é fato que analisar a postura de Marta em buscar realizar as tarefas mais domésticas para agradar ao Senhor depreende o entendimento da importância fundamental do labutar diário. Mas é importante também ir um pouco além e refletir sobre as distrações do cotidiano que impedem o ser humano de se dedicarem com mais zelo ao que realmente importa.

Artimanhas

O erro é achar que o demônio é o pai da mentira e ficar somente nessa percepção básica. Fato, todavia, é que o inimigo, com o intuito de tirar o cristão do caminho da verdade, usa de artimanhas mil para que o indivíduo se distraia com o frívolo e se contente em mergulhar em águas rasas, agindo tais como bichos que se preocupam unicamente com o que comer, o que beber e onde dormir. Não é que tais preocupações sejam em si mesmas ruins, mas não são elas que devem nortear nossa vida. Se nos deixamos levar por elas, terminamos como birutas, que seguem sempre a direção do vento.

Uma série de preocupações e distrações tiram o foco principal do ser humano, tiram a primordial busca que deveríamos almejar: as coisas do céu. E se o mal quer nos afastar da verdade usando, para isso, todos os meios de distração que o mundo de hoje proporciona, é dever de cada um mostrar, de antemão, a arma mais poderosa que o cristão tem: a oração, porque é somente de joelhos que venceremos essa guerra!

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