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Diante do suicídio de um ente querido: acompanhar, ao invés de julgar

© SHUTTERSTOCK
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O que dizer aos pais ou aos filhos de alguém que se suicidou? É melhor falar disso ou evitar o tema? Como ajudar?

Pode ser um amigo, um filho, alguém perto de você que decide cometer suicídio, pelo motivo que for. É uma experiência terrível. A pessoa se sente culpada: como ele pôde fazer isso? Eu poderia ter evitado? Meu carinho não era suficiente para ajudá-lo a viver? Deus não podia ter evitado esta tragédia?
 
O Centro de Escuta São Camilo, dirigido pela congregação de religiosos camilianos, ofereceu ajuda psicológica a mais de 36 pessoas pela perda de entes queridos devido ao suicídio. A Aleteia conversou com Marisa Magaña Loarte, diretora do centro, para tentar entender estas mortes e saber como agir diante delas.
 
A mente humana não está preparada para viver um suicídio entre seus entes queridos. Qual é a primeira coisa que se pode fazer? Como ajudar, nestes casos?
 
De fato, ainda que se saiba que um ente querido tem risco de suicídio, quando isso se torna realidade, os sobreviventes (assim são chamados os familiares de uma pessoa que morre por suicídio) entram em um estado de sofrimento profundo.
 
Não podemos nos esquecer de que, no suicídio, se unem dois lutos: um pela morte em si e outro pela forma como ela aconteceu.
 
Sempre que possível, é importante entender, como ajudantes, que é um erro tentar "amortecer" sua dor, com frases típicas de consolo, ou reprimindo a expressão do seu sofrimento.
 
Precisamos ajudar a que botem para fora o que estão sentindo por um fato tão doloroso que ocorreu, não dramatizá-lo, não desprezar seu caráter duro, nem uma gota. "Amortecer" a dor só transmitiria incompreensão; o que aconteceu é emocionalmente muito difícil e é assim que esta realidade deve ser acompanhada.
 
Acolher, mas sem entrar em argumentos nem explicações, porque quem sofre não está em condições de ouvir raciocínios. Esta pessoa precisa, no entanto, ser acolhida e validada em sua raiva, vergonha, culpa etc. Seja o que for que estiver sentindo, é válido, porque é seu, e não há outra opção de acolhimento, a não ser o acolhimento total.
 
Os problemas e as crises econômicas, como a atual, multiplicam os suicídios?
 
Se eu respondesse "sim", estaria fazendo uma interpretação errônea da realidade. Os problemas e as crises econômicas têm o papel de evidenciar o que a pessoa já traz dentro.
 
Nem todas as pessoas são propensas a cometer suicídio; o risco de fazê-lo ou não vai depender, em grande parte, da nossa estrutura de personalidade, da capacidade de enfrentar situações críticas, dramáticas.
 
Diante de uma mesma realidade, cada pessoa reage de maneira diferente, em função das estratégias que enfrentamento que tem; por mais dramáticas que forem as situações, há pessoas que nunca chegarão a se suicidar; outras, pelo contrário, se sentem sobrecarregadas.
 
Para estas últimas, cada dia de vida assim é puro sofrimento; elas avaliam o suicídio como a única solução possível diante da dor, como uma libertação.
 
Outra grande pergunta é: eu poderia ter evitado isso? É possível prever ou prevenir um suicídio?
 
De fato, este é um dos grandes interrogantes dos sobreviventes. A tendência é achar que sim, e daí vem seu sentimento de culpa. No entanto, a experiência nos diz que, na maioria dos casos, é enormemente difícil evitar um suicídio, muitas vezes porque é o próprio protagonista do suicídio que quer que as coisas sejam assim.
 
O desejo de morte pode ser um sintoma de muitas doenças e não é justo, nem para o sobrevivente nem para o falecido, ser julgado pelo ato cometido, consequência do seu transtorno.
 
Com relação ao carinho, quando perguntamos às pessoas que tiveram tentativas fracassadas de suicídio, a resposta costuma ser muito parecida: "Eles chorarão durante alguns dias, mas depois estarão muito melhor sem mim"; "Eu sou um estorvo, um fardo, e o que estou fazendo, com o tempo, vai ser um favor para eles, que não terão mais de suportar um filho assim".

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