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O que é a Imaculada Conceição?

Giovanni Battista Salvi "Il Sassoferrato" (1609–1685)
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A Igreja celebra solenemente, no dia 8 e dezembro, o fato de a Virgem Maria ter sido concebida sem pecado original

Ao ter sido preservada imune de toda mancha de pecado original, a Puríssima Conceição permanece diante de Deus, e também diante da humanidade inteira, como o sinal imutável e inviolável da escolha por parte de Deus. Esta escolha é mais forte que toda a força do mal e do pecado que marcou a história do homem, uma história em que Maria aparece então como “sinal de esperança segura”.

Por outro lado, em Maria resplandece a santidade da Igreja que Deus quer para todos os seus filhos. Nela, a Igreja já chegou à perfeição e, por isso, recorre a Ela como “modelo perene” (em palavras da carta encíclica “Redemptoris Mater”), em quem já se realiza a esperança escatológica da vida futura.

Além disso, Maria permaneceu fiel à sua natureza imaculada e se tornou, para todo ser humano, um modelo de qualquer virtude representada em grau sumo, destacou o ministro geral dos Frades Menores, José Rodríguez Carballo, acrescentando que “Maria é uma mulher da mesma massa que nós, que realiza absolutamente o ideal de pureza, beleza e santidade”.

Com a definição papal do dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria, culminou um longo caminho de discernimento teológico e doutrinal da Igreja, que durou vários séculos.

A decisão de Pio IX foi o cume de uma longa tradição de devoção por Maria Imaculada. Desde os primeiros séculos do cristianismo, sobretudo no Oriente, a Igreja celebrou a pureza de Maria. Os Padres da Igreja a definiam como a “Panaghia”, isto é, a toda santa, santificada pelo Espírito Santo, “lírio puríssimo”, “imaculada”.

No Ocidente, a tradição eclesial manteve sempre a doutrina da Imaculada Conceição, mas a evolução do dogma se vinculou ao discernimento teológico sobre a questão do pecado original. As dificuldades se apresentavam em dois sentidos: em primeiro lugar, se Maria era uma exceção, não teria precisado ser redimida, e com isso a Redenção não poderia ser considerada universal, contradizendo São Paulo. O segundo problema se dava pelo momento em que Maria havia ficado isenta do pecado, se antes ou imediatamente depois da sua concepção, pois não existia consenso sobre a maneira como se transmitia o pecado original.

A verdadeira controvérsia começou na Europa no século XII, com o surgimento das universidades e da escolástica. O teólogo Anselmo de Cantuária elaborou então o conceito da pré-redenção, sustentando que a Redenção havia sido aplicada a Maria antes do seu nascimento. O franciscano João Duns (1265-1308), chamado Scoto por ser originário da Escócia, foi o autor da máxima “Potuit, decuit, fecit” (Deus podia fazê-lo, convinha que o fizesse, portanto o fez): portanto, a Imaculada Conceição não era uma exceção à Redenção de Cristo, e sim sua mais perfeita e eficaz ação salvífica.

A controvérsia, contudo, prosseguiu e, em 1439, a disputa oi levada ao Concílio de Basileia. Após dois anos de discussões, os bispos declararam a Imaculada Conceição como uma doutrina piedosa em conformidade com o culto católico, a fé católica, o direito racional e a Sagrada Escritura, estabelecendo que, a partir desse momento, não se permitiria pregar ou declarar algo oposto. No entanto, ao não se tratar de um concílio ecumênico, não se pôde pronunciar com a máxima autoridade.

Em 1476, com o Papa Sisto IV, a festa da Concepção de Maria foi introduzida no calendário romano.

Desde o século XVI, as grandes universidades se tornaram baluartes de defesa do dogma. Quem não jurasse fazer o que estivesse ao seu alcance para defender a Imaculada Conceição, não podia ser admitido como membro em muitas universidades, como as de Bolonha, Nápoles, Paris, Colônia, Viena, Coimbra, Lovaina, Salamanca, Sevilha, Valência e, antes da Reforma, Oxford e Cambridge. Também houve ordens religiosas dedicadas à sua defesa, como os Frades Menores, que, em 1621, escolheram-na como padroeira, comprometendo-se a difundir a doutrina em público em em privado.

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