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Mesmo com ouro e glória, Michael Phelps foi ao fundo do poço – mas Deus o tirou de lá

AFP

Philip Kosloski - Aleteia Brasil - publicado em 11/08/16

O vazio em meio a tantas medalhas e louvores da mídia: ele caiu no álcool, nas drogas e até na sedução sombria do suicídio

O nadador “superstar” Michael Phelps, o atleta olímpico mais “medalhado” de todos os tempos, quase cometeu suicídio há dois anos.

Seu sucesso estrondoso lhe trouxe tanta atenção durante a última década que a mídia esportiva quase o adorava como a uma espécie de deus. Enquanto isso, o verdadeiro Phelps, o ser humano Phelps, travava em seu coração uma luta brutal e aterradora para encontrar a paz.

Ele se sentia vazio e tentava preencher a falta de sentido na vida com drogas e álcool – uma opção que o jogou numa espiral descendente rumo à destruição de si mesmo. Em 2009, foi suspenso da natação durante três meses por causa de uma fotografia que o mostrava fumando maconha. A suspensão não o impediu, porém, de continuar vivendo no limite: aliás, as coisas pioraram, culminando na sua segunda detenção por dirigir bêbado.

Phelps tinha chegado ao seu fundo do poço. Nos dias seguintes à sua prisão, ele se isolou – e continuou a beber. O astro admitiu depois, em entrevista à ESPN:

Eu não tinha autoestima. Não via meu valor próprio. Eu só pensava que o mundo ia ficar melhor sem mim. Achava isso a melhor coisa que eu podia fazer – acabar com a minha vida“.

Suas medalhas de ouro não o consolavam. Não havia mais propósito em continuar vivendo.

Providencialmente, sua família e amigos o convenceram a se internar e lidar com seus demônios. Ele relutou no começo; não foi fácil conseguir se abrir, mas, depois de algum tempo, aceitou sua situação e começou o caminho da recuperação.

Phelps tinha levado consigo o livro “The Purpose Driven Life” [“Uma Vida Com Propósito”], de Rick Warren, presenteado a ele por Ray Lewis, ex-atleta do Baltimore Ravens. Phelps não apenas o leu como o compartilhou com outros pacientes – ganhando o apelido, no centro de reabilitação, de “Preacher Mike“, algo como “Mike, o pregador”.

Michael Phelps agradeceu a Lewis pelo livro dizendo: “Cara, este livro é muito louco! A coisa que está acontecendo… ah, meu Deus… eu não tenho como agradecer o suficiente, cara. Você salvou a minha vida“. Phelps explicou, em uma entrevista, que o livro “me fez acreditar que existe um poder maior que eu e que existe um propósito para mim neste planeta“.

Os atletas beijam suas medalhas, que validam o seu trabalho duro, mas que nunca correspondem ao beijo. Os elogios da mídia são uma brisa inconstante. Já o amor enraizado na fé ajuda a restaurar as perspectivas. Além de encontrar a fé durante a reabilitação, Phelps reconheceu que grande parte de sua falta de serenidade se devia à ausência do pai na maior parte de sua vida. Os pais de Phelps tinham se divorciado quando ele tinha 9 anos. Foi para preencher esse vazio que o pequeno Michael recorreu às piscinas. Mas, depois que a água foi conquistada, a dor reprimida se manifestou com força.

Quando chegou a Semana da Família na clínica de reabilitação, Phelps retomou contato com o pai – e aquele foi um momento de cura para ambos. Eles se abraçaram pela primeira vez em vários anos e essa experiência ajudou Phelps a seguir em frente.

Poucos meses após a reabilitação, Phelps pediu Nicole Johnson, sua namorada de longa data, em casamento. A cerimônia está prevista para após o término dos Jogos Olímpicos do Rio. Pouco depois de planejarem se casar, os dois descobriram que Nicole estava grávida – e o nascimento recente do filho foi outro ponto de virada na vida de Phelps.

Ao pegar o bebê no colo, Phelps chorou:

Eu não achava que ia me emocionar tanto. ‘Este é o nosso filho’. E, de repente, você tem essa nova apreciação do que é realmente o amor“.

Com a nova responsabilidade de uma família, Phelps declarou ter planos de se aposentar depois da Olimpíada do Rio. Em uma entrevista recente, ele afirmou, em referência ao filho e a essa possibilidade: “Não me matem se eu voltar, mas eu só vou dizer que tê-lo aqui, assistindo às possíveis últimas provas da minha carreira, é algo que eu quero muito compartilhar com ele“.

Pela graça de Deus, Phelps pôde ser resgatado do fundo poço e trazido de volta à vida. Phelps pode não ser perfeito, mas a sua recém-descoberta fé cristã lhe deu um novo rumo. Seu sucesso ainda o mantém no alto do pedestal e a mídia continua a adorá-lo como a um deus, mas, agora, Phelps parece ter uma noção mais clara de quem ele é, dentro do grande panorama das coisas e daquilo que realmente importa.

Ele entende melhor, hoje, que as medalhas de ouro – não importa quantas possa acumular – não tiveram, não têm e não terão poder para salvá-lo.

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