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Entenda o que é racismo estrutural e faça sua parte para combatê-lo

RACISM

Eugene Kim-(CC BY 2.0)

Octavio Messias - publicado em 22/06/20

Redes sociais são ferramenta importante de conscientização 

Não é coincidência que o politicamente correto entrou em voga depois das redes sociais. A partir delas, para o bem e para o mal, diferentes vozes encontraram vazão.

O cidadão médio que antes apenas consumia informação passivamente hoje é capaz de produzir seu próprio conteúdo.

Por meio das redes sociais, muitas das classes oprimidas, que antes só tinham seus semelhantes a quem reclamar, conseguiram se articular e se fazer ouvir.

Não nos esqueçamos que a Primavera Árabe começou nas redes sociais, que, desde então, continua a articular movimentos que questionam as bases da nossa sociedade.

Dessa maneira, donas de casa se fizeram ouvir, o que fez com que o mercado publicitário a elas se voltasse, entre outras reinvindicações. Assim como agora os negros estão dando seu recado através de movimentos como o norte-americano Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).

Por meio das redes sociais, um privilegiado de classe média pode entrar em contato com narrativas de realidades diferentes de sua própria e criar empatia. Repercute a morte de João Pedro Mattos Pinto, jovem negro de periferia morto a tiros pela polícia dentro de sua própria casa. Compartilha vídeos como o registro amador da morte de George Floyd que chocou o mundo.

Pelas redes sociais, discutimos termos como, por exemplo, lugar de fala, conceito usado em análise de discurso que vem sido difundido pelo seu sentido sociológico, conforme apresentado pela filósofa Djamila Ribeiro, um dos principais nomes na luta por igualdade racial no Brasil, hoje, cujo primeiro livro, inclusive, se chama O Que É Lugar de Fala? (2017).

Pelo discurso de Djamila, notam-se as relações de dominação e opressão na sociedade, que estão diretamente subordinadas às condições sociais, que autorizam ou negam acesso de determinados grupos a lugares de cidadania.

Do meu lugar de fala de homem, branco, heterossexual, eu não tenho como saber o que é crescer em uma comunidade periférica, correndo risco de vida e sendo recriminado pela minha cor, sem tantas das oportunidades que me pareceram naturais ao longo da vida, do ensino fundamental em escola particular ao mestrado, passando por oportunidades de emprego e até de inserção social. Mas, recorrendo à minha empatia, ao ouvir relatos de realidades tão distintas, eu posso me solidarizar com aqueles que vivem em condições adversas e fazer minha parte para que uma pessoa não seja mais tratada de forma diferente por conta de sua cor.

O que nos leva a outro conceito em voga atualmente, o racismo estrutural, segundo o qual o próprio sistema tem rígidos mecanismos de perpetuação do racismo e de manutenção do status quo. O que não é difícil perceber em um país como o Brasil. Nosso país tem uma população de 54% de negros e pardos; no entanto, veja ao seu redor, no seu bairro, na sua academia, no seu trabalho, na sua universidade: quantos negros estão presentes que não seja em uma condição de serviçal?

Nosso país ainda tem um grande acerto de contas a fazer com a  escravidão. E a nós cabe escrever o presente, procurando corrigir os erros do passado, visando um futuro mais justo, no qual todos nossos irmãos tenham direito a dignidade e felicidade. Vidas negras importam.


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