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Moçambique: Papa foi primeiro a saber de libertação de religiosas

Unknown | Aid to the Church in Need

Alexandre Ribeiro - publicado em 06/10/20

Durante 24 dias desconheceu-se por completo o paradeiro das duas religiosas após o ataque a Mocímboa da Praia

“O Papa Francisco foi praticamente o primeiro a saber que as irmãs já estavam connosco”, afirmou o Bispo de Pemba ao programa “Fantástico”, da TV Globo. “As irmãs” a que D. Luiz Fernando Lisboa se refere, são as duas religiosas da Congregação de São José de Chambéry. Elas ficaram reféns dos terroristas após o ataque de 11 de Agosto a Mocímboa da Praia.

De fato, durante 24 dias desconheceu-se por completo o paradeiro das duas religiosas. Na verdade, só agora, nas declarações à televisão brasileira, o bispo esclarece um pouco o que lhes aconteceu.

“Os insurgentes dominaram toda a cidade de Mocímboa da Praia”, recorda o prelado. Em consequência desse ataque, muitas pessoas ficaram reféns dos terroristas que reclamam pertencer ao Estado Islâmico. Entre essas pessoas, havia “homens, mulheres e crianças que estavam sob o cuidado das irmãs”, diz D. Luiz Fernando Lisboa. “Algumas pessoas idosas não puderam sair do lugar, não conseguiram fugir.”

Assim, o Bispo de Pemba afirma que as duas religiosas, ambas brasileiras – Inês Ramos, natural do Paraná, e Eliane da Costa, de São Paulo –, “ficaram então durante muitos dias levando comida para esses idosos”.

Libertação

A libertação só se verificou ao fim de 24 dias. E o Bispo de Pemba tratou logo de falar com o Papa. “Informei-o logo de seguida.” As duas irmãs estão agora bem de saúde. No entanto, “chegaram bastante debilitadas, uma delas com malária, com febre um pouco alta”.

Para já, está fora de questão o regresso das duas religiosas a Mocímboa da Praia. Isso porque, segundo o Padre Kwiriwi Fonseca, “a região onde trabalham continua em guerra”.

Na reportagem da TV Globo, emitida a 20 de Setembro, o Bispo de Pemba refere-se aos terroristas dizendo que se trata de “um grupo extremista islâmico”.

Os ataques, que têm vindo a assolar a região norte de Moçambique, tiveram início em 2017 mas agudizaram-se este ano. “Quando começaram a atacar as cidades, eles – diz D. Luiz Lisboa – começaram a falar que eram membros do Estado Islâmico.”

Calcula-se que nestes três anos de violência já se registaram mais de 560 ataques armados, o que significa uma média de cerca de um ataque a cada dois dias. No total, já terão perdido a vida cerca de duas mil pessoas.

Pobreza

Para o Bispo de Pemba, a pobreza da região norte de Moçambique ajuda a explicar o surgimento desta onda de terror. “Um dos motivos é por causa da pobreza da nossa região. Houve um esquecimento por parte dos governos passados e do actual de investir nessa região…”

Na verdade, o ataque à Missão das Irmãs de São José de Chambéry não foi um caso isolado em relação à Igreja Católica na província de Cabo Delgado.

Antes, os terroristas já tinham atacado, por exemplo, o Convento dos monges beneditinos situado em Auasse, a 12 de Maio, e forçando os quatro religiosos a terem de se esconder no mato.

Símbolo também da destruição causada pelos grupos terroristas, a Igreja paroquial de Mocímboa da Praia foi incendiada em Julho. Isso num dos vários ataques lançados nos últimos meses contra esta importante cidade portuária em Cabo Delgado.

Enfim, a Fundação AIS tem procurado ajudar os cristãos em Moçambique com diversos projectos, desde a reconstrução de igrejas até ao apoio à subsistência dos missionários.

Atualmente, está em curso uma campanha de ajuda de emergência para a Igreja local dada a situação particularmente grave que se vive em Cabo Delgado. Ali, além dos mortos e feridos e da destruição de casas e infraestruturas em aldeias, vilas e cidades, já se contabilizam mais de 250 mil deslocados.




Leia também:
As orações da encíclica “Fratelli tutti” assinada pelo Papa Francisco




Leia também:
Papa: a verdadeira autoridade é servir, e não explorar os outros

(Departamento de Informação da Fundação AIS)

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