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Papa Francisco inicia viagem ao Iraque

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AHMAD AL-RUBAYE I AFP

Une rue de Bagdad décorée de nombreuses affiches en l'honneur du pape François.

Reportagem local - publicado em 05/03/21

"Vou como peregrino da paz em busca de fraternidade, animado pelo desejo de rezar juntos e caminhar juntos"

O Papa Francisco deixou a Casa Santa Marta às 7h da manhã desta sexta-feira, partindo rumo ao Iraque. “Sois todos irmãos” é o lema da 33ª Viagem Apostólica do Santo Padre (5-8 de março de 2021).

O avião decolou do Aeroporto de Fiumicino, em Roma, às 7h45, chegando a Bagdá duas horas depois. A bordo do voo, acompanhava a viagem uma imagem de Nossa Senhora de Loreto.

O séquito papal é formado, entre outros, pelo cardeal secretário de Estado Pietro Parolin, pelo prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, cardeal Leonardo Sandri e pelo grão-mestre da Ordem Equestre do Santo Sepulcro, ex-núncio no Iraque e especialista em assuntos de Oriente Médio, cardeal Fernando Filoni. 75 jornalistas também acompanham a viagem.

No momento de deixar o território italiano, o Santo Padre enviou o habitual telegrama ao Presidente da República Sergio Mattarella com o desejo de prosperidade e serenidade estendido a toda a população.

Em resposta o agradecimento do Chefe de Estado e a ênfase de que a presença do Papa no Iraque “representa para as martirizadas comunidades cristãs daquele país e de toda a região, um testemunho concreto de proximidade e de paterna solicitude”.

Mattarella também destacou que a visita iraquiana é “um sinal de continuidade após a Viagem Apostólica aos Emirados Árabes Unidos” e “mais um passo no caminho traçado pela declaração sobre a fraternidade humana”.

Bagdá

A primeira etapa da viagem do Papa Francisco é Bagdá. A capital da República do Iraque, foi fundada em 762 pelo califa abásside al-Mansur, no local onde o curso do rio Tigre se aproxima ao Eufrates, em uma das áreas culturais mais antigas da humanidade, a Mesopotâmia.

A posição favorável para o comércio e a administração do território permitiu que a cidade crescesse e prosperasse até se tornar um dos centros culturais mais importante do mundo.

Foi ali que ele nasceu, como biblioteca privada do califa abássida Harun al Rashid (Harune Arraxide), a Bayt al-Haikma, a “Casa da Sabedoria”, ampliada mais tarde por seu filho e sucessor al Ma’mun, um dos lugares de estudo mais conhecidos da história. Partindo de uma biblioteca privada, este lugar expandiu-se cada vez mais, tornando-se público e dando a oportunidade aos estudiosos de consultar mais de meio milhão de livros.

A Bayt al Hikmah representou no mundo o mais importante centro de conhecimento por vários séculos. No entanto, não sobreviveu às devastações sofridas pela capital abássida: incêndios, guerras civis e, por fim, a invasão devastadora dos mongóis liderados pelo sobrinho de Genghis Khan, Hülegü. Com o fim do Califado, no século XIII, teve início a decadência de Bagdá.

Saqueada pelos mongóis em 1258, destruída por Timer em 1400, passou a fazer parte do Império Otomano em 1638, até o século XX, sendo ocupada posteriormente pelos britânicos, durante a Primeira Guerra Mundial.

Em 1932, com a independência, voltou a ser um importante centro cultural no mundo árabe, e na década de 1970, graças ao petróleo, conheceu um período de prosperidade, que terminou definitivamente após o conflito com o Irã, as Guerras do Golfo, a queda do ditador Saddam Hussein e ocupação militar em 2003.

Bagdá, cujo nome parece derivar do antigo persa “Bagh” e “Dad”, ou “presente de Deus”, pela forma perfeitamente circular do seu núcleo original, sempre foi definida como “Cidade Redonda”. Ali, dentro de três círculos de muros concêntricos, Al-Mansur construiu seu palácio, o opulento Golden Gate Palace,com  uma cúpula verde mais de 40 m de altura, e a adjacente Grande Mesquita.

Na cidade atual, abundam os monumentos construídos por ordem de Saddam Hussein, para celebrar sua figura e suas vitórias. Entre os principais, o Arco de Mãos da Vitória, o Monumento ao Soldado Desconhecido, e o monumento Al-Shaheed, que comemoram a Guerra Irã-Iraque.

Hussein também mandou construir algumas mesquitas, entre as quais a mesquita Umm al-Mahare, ou “Mãe de todas as batalhas”, na periferia, cujos minaretes têm a forma de fuzis Kalashkinov e mísseis Scud; a mesquita kazimayn, localizada a noroeste de Bagdá, típico exemplo de arte islâmica, onde são conservados os túmulos dos Imames venerados por muçulmanos xiitas. E no bairro de Bab al-Sheik, a mesquita al-Qadiriya, que já foi uma escola Alcorão.

Marcos de referência da capital, separados pelo rio Tigre, são o Santuário Khadhimiya e a Mesquita Abu Hanifa, em Adhamiya, uma das mais importantes mesquitas sunitas na capital; o Palácio de Saddam Hussein, construído por sua vontade em 1988 em uma colina no alto da cidade; o Museu Nacional iraquiano – fundado em 1926 pela arqueóloga e viajante britânica Gertrude Bell, conhecida como a “Rainha de Bagdá” – o qual, em 2003, após a invasão estadunidense, foi saqueado de suas preciosas antiguidades, que datam de mais de 5.000 anos; o zoológico construído em 1971, que em 2003 foi completamente devastado, mas agora acessível novamente; os bairros característicos de Karrada e Al Mansour; e o mercado histórico de Shorja, o maior souk ao ar livre da cidade, que remonta à era abássida.


IRAQ

Leia também:
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(A partir do original de Vatican News)

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