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A oração mais difícil (e mais significativa) para uma jovem mãe

MOTHERHOOD

New Africa - Shutterstock

Theresa Civantos Barber - publicado em 08/06/21

A mudança na rotina com a chegada de um bebê não significa que os pais e as mães vão deixar de ter uma vida de oração ou progredir espiritualmente

Uma das primeiras coisas que percebi depois de ter um filho foi que minha vida de oração teria que mudar. Com quatro pequeninos muito ativos, não posso entrar na capela da Adoração em um piscar de olhos ou passar longas manhãs tranquilas lendo as Escrituras.

Mas essa mudança repentina não significa que um pai ou uma mãe não pode mais ter uma vida de oração ou progredir espiritualmente. Na verdade, o oposto pode ser verdadeiro: a materninade/paternidade oferece grandes oportunidades para crescer em virtude. A parte complicada é aceitar essas oportunidades, que quase sempre vêm de formas indesejadas.

Aceitar a vontade de Deus

Talvez o segredo do progresso espiritual seja mais simples e mais difícil do que podemos pensar. A resposta está na aceitação total da vontade de Deus para nós em qualquer momento, mesmo quando a vontade Dele não é o que nós mesmos escolheríamos.

Já vi outras mães descreverem essa ideia como o “sacramento do momento presente”. Recentemente, percebi novamente como é difícil abraçar essa atitude, mas também o valor que há em lutar por ela.

Na semana passada, meus três filhos mais velhos estavam ocupados brincando enquanto o bebê mais novo estava dormindo. Uma das minhas maneiras favoritas de escapar na hora da oração é usar um aplicativo de Terço em áudio e rezar junto com ele enquanto minhas mãos estão ocupadas. Lavar roupa é um trabalho infinito em nossa casa, então abri o aplicativo e comecei a rezar enquanto também me dedicava aos afazeres. 

“Finalmente”, pensei, “vou rezar um terço inteiro em paz”. Isso acabou sendo um pensamento positivo. 

Entretanto, um após o outro, cada um dos meus filhos entrou pedindo algo e interrompeu minha tentativa de orar. Um queria água, outro um lanche. Alguém precisava de ajuda para usar o banheiro, outro queria ajuda para encontrar um brinquedo…E assim por diante. A cada interrupção, eu pausava minha oração e meu trabalho para atender às necessidades de uma criança. 

Após a terceira ou quarta interrupção, comecei a ficar irritada. Eu não poderia ter algum tempo para mim para rezar o terço, pelo menos? Por que Deus permite que essas crianças continuem me incomodando com seus pedidos intermináveis?

A homilia que mudou tudo

Então me lembrei de uma homilia que ouvira anos antes. O padre me deu alguns dos melhores conselhos que já ouvi. Uma mãe pode ser contemplativa no meio de sua casa agitada e barulhenta, disse ele, quando aprende a ver as interrupções dos filhos como um chamado para fazer a vontade de Deus:

Todos os mosteiros têm um sino. São Bernardo, ao escrever suas regras para o monaquismo, disse a seus monges que sempre que o sino monástico tocasse, eles deveriam largar tudo o que estivessem fazendo e ir imediatamente para a atividade específica (oração, refeições, trabalho, estudo, sono) para a qual o sino estava convocando-os. Ele insistiu que eles respondessem imediatamente … não porque você queira, mas porque é hora para essa tarefa – e não é a sua hora, é a hora de Deus. 

Assim, uma mãe é forçada, quase contra sua vontade, a abrir constantemente o coração. Durante anos, seu tempo nunca é seu, suas próprias necessidades têm que ser mantidas em segundo plano e, toda vez que ela se vira, alguém estende a mão e exige algo. Ela ouve o sino monástico muitas vezes durante o dia e tem que deixar o que ela estava fazendo – não porque ela queira, mas porque é hora dessa atividade- não a hora dela, mas a hora de Deus.

Ao relembrar aquela homilia que mudou minha vida, tive um momento de clareza. Rezar o terço sem interrupção seria uma bela oração, mas não era isso que Deus queria que eu fizesse naquele momento. Deus queria que eu amasse meus filhos e cuidasse deles, antes de mais nada.

Minha principal vocação nesta época da vida é o trabalho prático e fisicamente exigente de criar bebês e crianças pequenas. Para mim, o ato de virtude naquele momento não era rezar um terço em paz. Era cavar fundo e encontrar paciência para responder com amor aos meus filhos, mesmo quando seus pedidos começaram a me irritar. 

Servir a Deus

Cada pedido de pequenas vozes era um apelo de Deus, uma oportunidade de servir a Deus servindo aos outros. Mesmo que não pudesse rezar o terço sem interrupção naquele dia, poderia oferecer a Deus um sacrifício ainda maior: escolher responder com paciência e amor cada vez que fosse interrompida. 

Eu gostaria de poder dizer que sempre me lembro dessa lição e que sempre respondo com paciência. Claro que não. Mas sei que cada vez que escolho responder pacificamente às interrupções de meus “sinos monásticos”, estou oferecendo a Deus a oração mais significativa que posso fazer nesta época da minha vida. 

Sacrifício e força de vontade

Esta oração exige mais força de vontade do que qualquer outra coisa que eu pudesse dar a Deus agora. É um sacrifício que inúmeras mães fazem todos os dias, um sacrifício de tempo e energia, que quase sempre passa despercebido em nosso lar. 

Mesmo assim, Deus vê esses pequenos atos contínuos de abnegação, e sei que esses esforços que as mães fazem em favor de nossa família nunca passam despercebidos. Eles sempre valerão o esforço.

Tags:
Filhosmãesvida espiritual
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