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Por que o Papa troca de nome ao ser eleito?

Papa Francisco e Papa Bento XVI

VATICAN MEDIA / AFP

Reportagem local - publicado em 29/06/21

Uma linda tradição da Igreja

Assim que um novo papa é eleito, o cardeal decano do Colégio Cardinalício vai até ele e lhe pergunta como ele quer ser chamado (“Quomodo vis vocari?”).

A escolha do novo nome por parte do Santo Padre pode estar motivada por vários aspectos, como, por exemplo, honrar algum dos seus predecessores – como no caso de João Paulo II.

Mas esta é uma tradição que, ainda que antiga, nem sempre existiu. Até o ano 532, todos os sucessores de São Pedro usaram seus nomes de Batismo. Além do nome, indicava-se sua procedência: Anacleto Romano, Evaristo o Grego, Lino de Tuscia etc.).

Em 31 de dezembro de 532, o homem eleito papa se chamava Mercúrio “o romano”. Mercúrio era um nome claramente pagão (é o nome romano do deus grego Hermes), razão pela qual o novo pontífice trocou de nome e se chamou João II, em honra do seu predecessor, João I, um mártir.

A partir desse momento, muitos dos seus sucessores o imitaram e começaram a trocar o nome de Batismo pelo dos Apóstolos, mártires ou outros papas. Desde então, apenas dois papas mantiveram seu nome de Batismo: Adriano VI e Marcelo II.

Nomes mais usados

Até hoje, os nomes mais usados foram João (23), Gregório (16), Bento (16), Clemente (14), Inocêncio (13), Leão (13) e Pio (12).

Na Bíblia, encontramos algo muito significativo: cada vez que Deus troca o nome de uma pessoa, é por uma razão poderosa: o nome corresponde à sua nova identidade, missão ou ministério.

Temos o exemplo de Abrão, que foi chamado por Deus de Abraão, “pai das nações”, porque Deus lhe prometeu que o seria.

No próprio Gênesis, vemos Sarai receber o nome de Sara, como mãe das nações e rainha, porque ela seria mãe de reis.

Jesus também chamou Simão de Pedro, porque “sobre esta Pedra construirei a minha Igreja”.

Por tudo isso, entende-se o fato de os papas trocarem de nome ao assumirem uma nova missão: a de tornar-se cabeça visível da Igreja.

Este costume é uma demonstração a mais de como a Igreja é continuadora e intérprete fiel do Antigo e do Novo Testamentos, bem como da Tradição.

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DoutrinaHistóriaIgrejaPapa
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