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Casais em crise: como aproveitar a situação para crescer

KŁÓTNIA MAŁŻEŃSKA

fizkes | Shutterstock

Prof. Felipe Aquino - publicado em 13/07/21

É nas crises que o casal aprende a superar os obstáculos, cada crise é uma ocasião de crescer

Todas as famílias e todos os casais enfrentam algum tipo de crise que fazem parte da sua realidade e até da sua beleza. Afinal, o mais belo na vida de um casal é o crescimento mútuo que acontece também nas crises. É nessa caminhada que o casal encontra a maturidade do seu amor e a felicidade duradoura. É nas crises que o casal aprende a superar os obstáculos, cada crise é uma ocasião de crescer.

Algo importante é que os casais experientes estejam dispostos a acompanhar os casais em crises, para que não se assustem nem tomem decisões precipitadas ou fujam do problema, negá-lo, negar a sua importância, “empurrar o problema com a barriga”, ou até mesmo desistir do matrimônio. É importante não adiar a solução para que a situação não se agrave, gerando isolamento, quebra da intimidade e comunicação do casal, podendo chegar a um ver no outro alguém estranho.

Para se enfrentar uma crise é necessário vencer o isolamento, o silêncio e a fuga dos problemas. É preciso descobrir as causas nos corações dos esposos e enfrentá-las.

Alguns tipos de crise que pode surgir

Há crises comuns que costumam verificar-se em muitos matrimônios, como a que ocorre no início da vida conjugal por causa das diferenças individuais, o desligamento dos pais, a chegada do filho, a educação da criança, que altera os hábitos do casal; a crise da adolescência do filho, a crise causada pela velhice dos pais dos cônjuges etc. São situações que provocam, muitas vezes, desentendimentos, depressões ou cansaços que podem afetar a união.

Além disso, podem surgir as crises pessoais relacionadas com dificuldades econômicas, profissionais, emotivas, afetivas, sociais e espirituais. Nessas situações, é preciso haver o perdão e a humildade para chegar à solução dos problemas. Saber perdoar e sentir-se perdoado é uma experiência fundamental na vida familiar. A reconciliação, que requer a graça de Deus, precisa também da boa ajuda dos parentes e amigos e até de algum profissional.

Às vezes, quando um cônjuge sente que não recebe o que deseja, ou não se realiza o que sonhava, pode querer colocar um fim ao matrimônio. Assim não haverá matrimônio que dure. Às vezes, para decidir que tudo acabou, basta uma desilusão, a ausência do outro, um orgulho ferido ou um temor indefinido. Há situações no casamento em que um pode se sentir não completamente correspondido, ser vítima de algum ciúme, a atração suscitada por outras pessoas, as mudanças físicas do cônjuge e tantas outras coisas que precisam ser olhadas com calma e maturidade.

Como enfrentar essas situações?

Os casais (sobretudo os casais em crise) necessitam exercitar uma atitude de constante abertura para enfrentar as situações difíceis. Neste sentido, a Exortação Apostólica Amoris Laetitiapede de maneira urgente “um ministério dedicado àqueles cuja relação matrimonial se rompeu”, tendo em vista a reconciliação do casal. Um problema que afeta o relacionamento do casal é a vida passada de cada um. Uma infância e adolescência mal vivida, com carência de amor dos pais, pode gerar problemas conjugais como egocentrismo, exigências descabidas, confrontos, críticas ácidas, mania de culpar os outros, fantasias etc. Especialmente uma relação mal vivida com os pais pode gerar dificuldades. Então, cada um precisa se conhecer, saber aceitar suas deficiências e procurar a libertação dos seus males para se chegar à maturidade.

Há casos em que a separação física do casal é necessária, em casos extremos, quando se chega ao ponto de estarem se destruindo mutuamente, especialmente para proteger o cônjuge mais fraco e os filhos. A separação física não rompe o vínculo matrimonial, por isso, ambos não podem se unir a outras pessoas, sem que haja uma declaração de nulidade do matrimônio.

É necessário um acompanhamento pastoral adequado aos separados, aos divorciados ou abandonados. Os casais de segunda união não devem ser discriminados; é importante que eles sintam que fazem parte da Igreja, que “não estão excomungadas”. Cuidar dessas pessoas não significa que se esteja enfraquecendo a indissolubilidade do matrimônio. A Igreja se preocupa em tornar mais acessíveis, ágeis e possivelmente gratuitos o processo para o reconhecimento dos casos de nulidade.

E quando ocorre de fato a separação?

No caso de separação do casal, esse deve ter especial cuidado com os filhos. O Papa pede aos pais separados: “Nunca, nunca e nunca tomeis o filho como refém!”.

Os matrimônios mistos – entre um cônjuge católico o outro batizado não católico -, merece uma atenção especial. Também os matrimônios com “disparidade de culto – entre um cônjuge católico e outro não batizado, deve ser acompanhado com atenção. Esses casos exigem atenção especial no que se refere à preservação da fé do cônjuge católico e a fé das crianças. Em ambos os casos será necessária a autorização da autoridade da Igreja que pede aos cônjuges que eduquem os filhos na fé da Igreja, por estarem recebendo o sacramento do matrimônio.

A prática homossexual

Quanto às pessoas com tendência homossexual, a família deve assegurar-lhes um respeitoso acompanhamento, para que possam dispor dos auxílios necessários para compreender e realizar plenamente a vontade de Deus na sua vida, vivendo a castidade (cf. Catecismo n. 2357s). Não é pecado ter a tendência homossexual, mas sim viver a prática homossexual. A Igreja não aceita celebrar o matrimônio de duas pessoas do mesmo sexo.

A Exortação do Papa deixa claro que: “É inaceitável que as Igrejas locais sofram pressões nesta matéria e que os organismos internacionais condicionem a ajuda financeira aos países pobres à introdução de leis que instituam o “matrimônio” entre pessoas do mesmo sexo”.

A morte de um dos cônjuges

Por várias razões, há muitas famílias hoje que são monoparentais (apenas um dos pais). Quando é caso da morte de um dos pais, o cônjuge vivo deve ser auxiliado pela Igreja para superar o trauma da morte, especialmente na fé: “Se a certeza da morte nos entristece, conforta-nos a promessa da imortalidade. Para os que creem em Vós, Senhor, a vida não acaba, apenas se transforma”.

Uma maneira de ajudar os seres queridos que morreram é rezar por eles. Diz a Bíblia que “rezar pelos mortos é santo e piedoso” (2Mac 12, 44.45). O nosso Catecismo diz que: “Rezar por eles pode não só ajudá-los, mas também tornar mais eficaz a sua intercessão em nosso favor” (n. 958).

Enfim, alguns Santos, antes de morrer, consolavam os seus entes queridos, prometendo-lhes que estariam perto ajudando-os. São Domingos afirmava, na hora da morte, que “seria mais útil, depois de morto (…), mais poderoso para obter graças”. Santa Teresinha do Menino Jesus disse que “passaria o céu aqui na terra” fazendo o bem.

Prof. Felipe Aquino

Tags:
CasamentocriseFamília
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