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Por que toda mulher deveria assistir à série ‘Maid’

MAID, NETFLIX, FILM

Netflix ITA | Youtube

Annalisa Teggi - publicado em 03/11/21

Disponível na Netflix, a minissérie mostra que o amor de mãe sempre resiste, mesmo quando tudo parece desabar

Enquanto os olhos do mundo estão voltados à série Round 6, outra série da Netflix subiu no ranking das produções mais assistidas da plataforma de maneira surpreendente. Estamos falando de Maid. Em 10 episódios, a minissérie é tudo o que pensávamos que não podíamos mais falar e aplaudir sobre a maternidade.

“Este não é o momento certo para ter um filho”

Resumidamente, a minissérie Maid conta a história de uma mãe solteira que trabalha como empregada doméstica para sustentar a filha após fugir de um parceiro violento.

É, portanto, uma série que questiona uma certa leitura prevalente da realidade que não é propriamente amiga das mães. Depois de assistir à série, ousamos dizer que a maternidade é a melhor aliada que esta jovem tem no inferno.

A crítica mais concisa e sensata poderia ser: uma minissérie que finalmente quebra a mentira do clichê: “Este não é o momento certo para ter um filho.”

Maid e a lição de amor e adaptação

O erro de uma visão distorcida pesa muito sobre os jovens, em particular. Então, para fazer algo certo, as circunstâncias devem ser certas, vantajosas, calculadas. É o erro moderno que Chesterton resumiu da seguinte forma:

“Esta é a gigantesca heresia moderna: modificar a alma humana para se adequar às condições, em vez de modificar as condições para se adequar à alma humana.”

Alex, com vinte e poucos anos, é mãe de uma menina de três. Ele deixa seu companheiro alcoólatra e tem apenas algumas dezenas de dólares no bolso. Também é filha de uma mãe louca e um pai ausente. Não tem emprego, não tem carro e não tem casa. Ela vai se deparar com todos os obstáculos possíveis no caminho.

Em qualquer jornal, esse enredo teria sido o mote perfeito para levantar o dedo e elogiar o planejamento consciente para a maternidade com uma revisão dos sistemas anticoncepcionais.

No filme, a única coisa que nunca fica em dúvida e, de fato, sustenta a personagem principal a cada passo, tirando-a do desespero, é o amor incondicional pela filha. Um amor que exige sacrifícios loucos, mas nunca em vão.

Assim, em meio a circunstâncias infernais, a alma de Alex questiona tudo, mas não o fato de ser mãe. Mesmo nas piores circunstâncias possíveis, o rosto da filha é o que lhe permite lidar com todo o resto.

Ser mãe não é um desastre

Um grande esforço tem sido feito para que as mulheres sintam que ser mãe é uma escolha, um ato voluntário, feito de avaliações e planejamentos. Hoje, falar em escolha – no tema da maternidade – significa, antes de tudo, escolher não ser mãe, fazer uma longa lista de objeções.

Alex, a protagonista de Maid, é uma jovem da atualidade, sem enquadramento moral e com muito desconforto: mora com o namorado Sean em uma casa móvel no meio de uma floresta. Pouco dinheiro, muitas cervejas. Eles têm famílias ruins por trás deles e vivem dia de cada vez. Não deveriam ter filhos, seria um obstáculo indesejável. Os dois não seriam adequados como pais. 

Mas a gravidez não planejada é o motor da trama: o abuso psicológico e emocional praticado por Sean contra Alex começa quando ela não faz o que deveria ter dado como certo: abortar.

No entanto, este jovem sem-teto, alcoólatra, violento, mas capaz de sentir empatia justamente por estar profundamente magoado, descobrirá que é um pai amoroso, mesmo que seja incapaz.

A maternidade salva

Alex deixa Sean quando os sinais de sua violência se intensificam. E, a partir desse momento, começa uma vida de adversidades, em que cada passo é épico e dramático. Tem que implorar por um emprego, abrir caminho na selva de subsídios do Estado, cuidar de uma menina que adoece, receber indiferença e insultos dos pais para quem pede ajuda.

O único ponto fixo no desespero crescente é o amor incondicional por Maddy, a filha. É ela que faz com que Alex mantenha a cabeça erguida, apesar dos obstáculos.

Longe de ser uma objeção, a maternidade é a única luz em um mundo cínico e indiferente. E será o olhar de sua mãe, guardiã de uma semente preciosa em meio à tempestade, que trará o bem às circunstâncias mais sujas.

O horizonte geral é o de uma vida marginalizada, feita de pobreza e precariedade. E, dentro desse quadro, Alex arregaça as mangas e trabalha como faxineira. Sanitários, cozinhas e barracos a limpar; mas também casas muito elegantes e vazias.

Entrar nesses espaços domésticos é enfrentar situações familiares opostas, loucuras e silêncios, gestos de amor incondicional, solidão mortal. Alex limpa e se limpa por dentro, identificando-se com as histórias de cada casa.

Família pode ser uma dor redentora

Nesta série da Netflix, mãe e filha repetem papéis da vida real. Margaret Qualley, a atriz que interpreta a protagonista Alex, é, na verdade, filha da atriz Andy McDowell, que interpreta sua mãe.

E ela é uma mãe com traços devastados: Paula é uma mulher com transtorno bipolar, uma artista maluca que vai de namorado em namorado. Ela não tem nenhum problema em virar as costas para a filha para ficar com um homem, mas a ama profundamente em outras ocasiões. Por outro lado, a abandona diante de desafios decisivos. E volta a ajudar a filha com uma visão incrivelmente positiva da vida.

A família é um monstro, pode-se dizer. Isso, no sentido de que é um estranho mistério em que não são as habilidades e os comportamentos que produzem filhos felizes e perfeitos.

Alex é filha de pais ruins, criada no meio do círculo de namorados ocasionais de sua mãe. No entanto, nós a vemos crescer e se tornar uma mãe amorosa e tenaz, pronta para fazer qualquer sacrifício. Como é possível? Estou elogiando pais irresponsáveis? Claro que não!

Desejando ser amado(a)

Aqueles que têm uma família ‘quebrada’ podem dizer: existem afetos inadequados dos quais brilha a certeza indestrutível de que podemos nos amar. Da dor da consciência de não saber amar bem, flui uma tenacidade muito sólida da rejeição, da indiferença, do abuso, do cinismo.

O amor de Alex por sua filha vem do desejo de ser amada. E quando algo está faltando visceralmente, entendemos seu valor ainda mais forte: estamos dispostos a dar sem reservas aquilo de que fomos privados.

São justamente as feridas que fazem dessa jovem mãe uma presença empática com todos com que ela encontra, cada um com sua bagagem de dor.

De episódio em episódio, vemos florescer uma jovem que, fazendo todo o possível para cuidar de sua filha, faz ainda mais: torna-se mãe de sua mãe, mãe do namorado afastado, mãe da mulher muito rica para quem ela trabalha, mãe de outras vítimas de violência.

E o que significa ser mãe? Significa ter um par de olhos e uma alma ávida por acolher, que não planeiam, mas que estão por dentro de tudo o que acontece – sem poupar.

Tags:
AbortoAmorFilhosMaternidade
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