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Brasil: santuário jesuíta com mais de 400 anos é restaurado

Gabriel Lordello/Mosaico Imagem

Ricardo Sanches - publicado em 23/11/21

Complexo religioso dedicado a São José de Anchieta reabre as portas depois de um impecável trabalho de restauração que durou 3 anos

O Santuário Nacional de São José de Anchieta tem grande importância histórico-religiosa para o Brasil. Trata-se de um dos maiores símbolos da presença dos jesuítas no país.

O local conserva a cela onde faleceu o santo Apóstolo do Brasil. O quartinho simples fica bem ao lado da Igreja de Nossa Senhora da Assunção, que o próprio Anchieta ajudou os indígenas a construir.

E toda a riqueza cultural e religiosa do conjunto religioso pode ser apreciada pelo público novamente. É que, depois de três anos em obras, o Santuário Nacional de São José de Anchieta foi reaberto para a visitação.

As obras do Santuário Nacional de São José de Anchieta

Localizado na cidade de Anchieta, ES, o complexo religioso formado pela Igreja de Nossa Senhora da Assunção e pela antiga residência jesuíta tem 442 anos. Agora, acabou de passar por minuciosos serviços de restauração e conservação. O local ganhou modernos sistemas de segurança, climatização, sonorização e iluminação. Também ocorreram levantamentos históricos, pesquisa arqueológica, restauro dos objetos litúrgicos e digitalização do acervo.

Além disso, os banheiros passaram por adaptações exigidas pelas normas técnicas. Tudo tem sinalização em braile, e os vídeos ganharam intérprete em libras. As passarelas são acessíveis, com plataformas elevatórias, a fim de que todos os visitantes tenham acesso à cela de São José de Anchieta e ao Centro de Documentação.

Todo o projeto custou R$ 10,5 milhões. O financiamento da obra ocorreu em parceria com a iniciativa privada.

Anchieta e a retomada do turismo religioso

Com a reabertura do santuário, espera-se que haja um incremento no turismo religioso da região.

“Este projeto mudará a história da região, pois vai gerar efeito multiplicador no turismo e no desenvolvimento local a partir do uso da sua identidade cultural, da fé e da história de São José de Anchieta”, afirmou a responsável pelo trabalho de restauro, a presidente do Instituto Modus Vivendi, Erika Kunkel.

Para o reitor do Santuário Nacional de São José de Anchieta, Padre Nilson Maróstica, a restauração deverá marcar um resgate da devoção ao santo. “O Santuário, então revitalizado, revigora a fé do povo no santo, aumenta a devoção. Também desperta o interesse turístico, artístico, cultural. Revitalizar o Santuário é restaurar para preservar e divulgar”, afirmou.

Detalhes da restauração

Na restauração da Igreja de Nossa Senhora da Assunção, o layout das peças que compõem a iconografia cristã foi produzido em mármore chocorosa (mistura de chocolate com rosa), e são de autoria de Dom Ruberval Monteiro, artista sacro brasileiro, monge beneditino, especialista em arte sacra e professor da universidade de San Telmo, em Roma.

Ainda na Igreja, a obra contemplou a troca do piso e a restauração das pinturas do altar-mor e do Arco Cruzeiro. O trabalho minucioso revelou e recuperou detalhes originais que estavam abaixo de camadas de tintas há mais de 450 anos, como uma pintura em relevo do século XVI encontrada na cor negra, feita com carvão. A pintura é rara numa Igreja e, provavelmente, foi feita pelos indígenas da região. 

Altares com folhas de ouro

Os dois altares laterais foram restaurados e receberam douramentos em folhas de ouro. Durante o trabalho de pintura, foi resgatada a cor mais antiga existente nesses altares: o azul do oceano atlântico. Os especialistas também usaram essa mesma cor no brasão do Santuário, representando as águas.

O restauro de toda a imaginária do Santuário de Anchieta registrou descobertas relevantes no que se refere à importância e ao valor das peças trabalhadas. Entre elas estão imagens que vão do século XVII ao século XIX. Algumas delas com douramento e, por isso, também foram restaurados com folhas de ouro.

Altar lateral com o resgate do azul e douramento em detalhes.

A sacristia

O Santíssimo voltou para o altar lateral, numa sala onde os fiéis poderão fazer suas orações em silêncio, rezar as orações de Anchieta aplicadas nas paredes de pedra do espaço e contemplar a bela paisagem externa pela janela do local.

A sacristia, mesmo resguardada, mantém uma área expositiva aberta à visitação com objetos litúrgicos que vão do século XVII ao século XX. Os padres poderão utilizar alguns dos raros objetos nas celebrações. O acervo tem ainda uma relíquia com fragmentos da Cruz de Cristo.

Objetos litúrgicos poderão ser utilizados nas celebrações.

A cela de São José de Anchieta

A cela será o local para celebração do mistério, da fé e dos milagres. Logo na entrada, ela traz duas telas touch para orações. As paredes em pedra ficarão à mostra, bem como o teto em duas cores de madeira.

Dentro haverá um quadro com a imagem de São José de Anchieta, do século XVII, que veio de Roma no início do século XX, uma relíquia da tíbia de São José de Anchieta, um crucificado em terracota do século XVI encontrado no santuário durante um trabalho de arqueologia e a bula de canonização. A bula é o livro que contém o decreto que determina que Padre José de Anchieta é santo. Está escrito à mão, em latim e assinado pelo Papa Francisco. 

Bula de canonização está na cela de José de Anchieta.

Novo museu

O Santuário Nacional de São José de Anchieta passa a contar com um novo conceito de museu, marcado pela interatividade do público com a história e a religiosidade dos jesuítas no Brasil

Uma das salas apresenta a vida de São José de Anchieta. O local exibe objetos arqueológicos indígenas e uma peroleira (vaso de cerâmica que jesuítas usavam nas navegações para transportar alimentos), entre outros objetos encontrados no Santuário.

No percurso, os visitantes seguem por um corredor com sinos e duas telas interativas, que apresentam poemas de José de Anchieta e imagens de objetos do santuário.

Há também uma sala em homenagem aos grandes jesuítas do mundo, como Santo Inácio de Loyola e o Papa Francisco. No local, há ainda objetos raros como os três livros – o Ratio Studiorum, a “Constituição Jesuíta” e os “Exercícios Espirituais”.

Vale ressaltar que o atual santuário foi o lugar escolhido pelo Padre José de Anchieta para viver os últimos anos de sua vida. Ele faleceu ali no dia 9 de junho de 1597.

José de Anchieta foi beatificado pelo Papa João Paulo II em 1980 e canonizado em 2014 pelo Papa Francisco. Tornou-se, assim, o terceiro santo brasileiro.

Clique na galeria abaixo e confira como ficou o trabalho.

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