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Covid-19: vacinação de crianças pode causar tensão no casal

VACCINATION

PhotoAdventure Studio | Shutterstock

Mathilde de Robien - publicado em 12/01/22

Na França, a vacinação contra a Covid para crianças a partir de 5 anos já começou, e o governo exige autorização dos pais para que os pequenos recebam a dose. A medida está causando impasses entre muitos casais

“Recebo casais que brigam por migalhas na mesa, então quando se trata da vacinação de seus filhos, a tensão é ainda maior”, confidencia à Aleteia a terapeuta matrimonial Claire Chavanes. A campanha de vacinação das crianças a partir de cinco anos contra a Covid, que já começou na França, virou um tema de discussão entre os casais. Isso, por vezes, se transforma em conflito. 

Nos últimos meses, a conselheira matrimonial e familiar apoiou muitos casais em seu processo de tomada de decisão. “Os conflitos sobre a vacinação contra a Covid, muitas vezes, revelam um desequilíbrio no casal mais profundo e anterior à questão da vacina: má comunicação, tomada de decisão unilateral, tendência a adiar…”

Na França, desde o início de janeiro, é necessário o acordo de ambos os pais para vacinar crianças de cinco a 11 anos contra a Covid-19. Para crianças de 12 a 15 anos, o acordo de um dos pais é suficiente. Por outro lado, adolescentes com 16 anos ou mais podem ser vacinados sem o consentimento dos pais.

Tomada de decisão em casal

Pierre está furioso com sua esposa. Ele soube no Natal, durante uma conversa em família, que sua filha de 13 anos foi vacinada contra a Covid-19. Sua esposa não achou por bem falar com ele sobre isso. “Ela se defendeu dizendo que como as crianças são muito pequenas, é ela quem administra o aspecto médico e que não vê onde está o problema, sendo a vacinação recomendada pelas autoridades de saúde. Estou arrasado, porque, por um lado, não estou convencido do benefício da vacina para as crianças. Por outro, pela forma como funciona! Não tenho mais confiança, agora me pergunto o que ela fez nas minhas costas!”

De fato, uma decisão tomada unilateralmente, quando diz respeito a ambos os progenitores, coloca efetivamente um dos cônjuges em situação de insegurança.

De forma contrária, Inès “carrega” as decisões relativas à saúde dos filhos sem, contudo, excluir o seu cônjuge. “Para a vacinação e todas as doenças infantis, tenho a última palavra. Meu marido pode ver que eu pesquiso o suficiente para formar um pensamento, e mesmo que ele não aprove minha posição cética em relação à vacina em geral, ele confia em mim. A coqueluche em 2019 e o Covid em 2020 nos permitiram voltar ao assunto das vacinas e avaliar a relação risco-benefício”.

Para os especialistas, a questão da vacina esclarece como funciona o casal: quem decide? Com base em quê? São questões que possibilitam fazer uma releitura da relação conjugal, e possivelmente trazer um novo equilíbrio para que cada cônjuge possa se sentir e se considerar co-responsável pelas decisões.

Boa comunicação, um pré-requisito para qualquer decisão

Gabrielle, 46 anos, é casada e mãe de dois filhos (de 12 e 18 anos). “Para meu marido, que trabalha em um hospital universitário e vê passar todas as doenças possíveis e inimagináveis, a vacina é óbvia. Mas eu estava bastante desconfiada dessa vacina, que foi colocada no mercado muito rapidamente e para a qual temos muito pouca perspectiva. Assisti a palestras sobre a referida vacina. Brigamos, chorei… e cedi. Como resultado, estamos todos vacinados. Acabei aceitando proteger meus filhos e os filhos que mantenho – sou auxiliar de creche”.

“Você pode ter sentimentos, argumentos diferentes dos do seu cônjuge, mas para chegar a uma decisão conjunta, é essencial fazer o esforço de entrar no mundo do outro, para que este se sinta unido e compreendido”, assegura a conselheira matrimonial.

Alguns permanecem presos em sua posição e a discussão não acontece – ou gera tensões de ambos os lados. Pelo contrário, para ter uma troca real, é preciso “abaixar os braços, desapegar-se de si para entender o outro, por amor, por curiosidade, para mostrar empatia”. Dizer “eu entendo que você possa sentir angústia com a ideia de ter nosso filho vacinado / não vacinado” é um passo essencial para poder se ter uma decisão comum”.

Assunto adiado… mas não resolvido

Outros casais, sabendo do conflito inevitável, evitam tocar no assunto. “O assunto é tabu, não falamos sobre isso”, testemunha Vitória, desfavorável à vacina. Para Charlotte, a Covid finalmente levou a melhor em suas intermináveis ​​discussões: “Temos uma filha com asma grave. Meu marido absolutamente queria vaciná-la! Eu era contra… Finalmente todos contraímos Covid… Não precisa mais vacinar crianças! Discussões descartadas… Por quanto tempo?!” Ela se pergunta…

Persistem as preocupações sobre a evolução da obrigação de vacinação para crianças na França. “Enquanto a vacina não for obrigatória, decidimos não vacinar nossas filhas”, diz Christelle, mãe de três crianças entre 6 e 12 anos. “Mas eu sei que a tensão aumentará um pouco em nosso relacionamento se eles precisarem de um passe de vacinação para suas atividades ou – pior – para a escola! Sou totalmente contra a vacina por causa dos efeitos colaterais desconhecidos sobre a fertilidade. Não há como eu correr tanto risco pelas minhas filhas. Eu preferiria estudar em casa ou restringir suas atividades atléticas do que correr um risco tão grande para sua vida futura. Mas meu marido me chama de extremista e prefere que eles vivam sua vida a estragá-la com minhas ansiedades infundadas.”

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