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Os Javalis Selvagens voltaram hoje para casa! Mas relatam: “Tivemos medo e fome”

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EyePress News | EyePress | AFP

Reportagem local - publicado em 18/07/18

Na primeira e emocionante entrevista coletiva, os meninos da Tailândia homenagearam seus heróis e contaram o que viveram na caverna

Os 12 meninos do time juvenil tailandês “Javalis Selvagens”, junto com seu técnico Ekkapol Chantawong, de 25 anos, deram nesta manhã de quarta-feira a sua primeira entrevista coletiva após o drama e o alívio de serem resgatados da caverna Tham Luang, onde ficaram presos durante as duas semanas que mantiveram o mundo em suspense.

A entrevista

O governo da Tailândia organizou a coletiva de imprensa para responder à curiosidade geral do público, mas as perguntas passaram antes pela aprovação de um psicólogo.

A conversa foi levada ao ar, ao vivo, no programa especial “Enviando os Javalis Selvagens para casa“, transmitido pelos principais canais do país.

Nesta primeira aparição pública, os jovens de 11 a 16 anos e seu treinador, de 25, homenagearam o mergulhador Saman Kunan, que morreu durante o monumental esforço do resgate, relataram a alegria que sentiram ao serem encontrados por dois mergulhadores britânicos e contaram do medo e da fome que passaram na caverna.


herois tailandia

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Uma médica presente na coletiva afirmou que os meninos demonstraram “espírito forte” durante todo o drama que viveram.

Meninos Tailândia
Namwoon Chitchanok - Twitter @Namwoon_ccw

Fome

Diferentemente do que tinha sido divulgado, o grupo não tinha levado comida para o passeio na caverna, pois pretendiam passar poucas horas lá dentro.

Pornchai Khamluan, de 15 anos, recordou: “Bebíamos água que pingava das estalactites” – em gotas, porque eram a única água relativamente limpa de que podiam dispor.

Chanin Vibulrungruang, o mais novo do grupo, de 11 anos, disse que não tinha mais forças físicas e tentava não pensar em comida para tentar diminuir a fome.

Ekkapol Chantawong, o técnico, relatou que, após o segundo dia, eles começaram a sentir mudanças no corpo pela falta de alimento.

Os rapazes perderam em média 2 kg cada um durante as duas semanas em que ficaram presos. No hospital, porém, recuperaram em média 3 kg cada.

Medo

Ekkapol contou que o grupo tinha decidido entrar na caverna em 23 de junho, esperando sair logo para ir à festa de aniversário de um deles, Peerapat Sompiangjai, que completou 17 anos.

Enquanto estavam na cavidade, a água subiu rapidamente e, ao se verem ilhados, eles buscaram um ponto mais alto para passar a noite. No início, segundo o treinador, eles não estavam assustados: pensavam que, na manhã seguinte, o nível da água teria baixado.

Mas não baixou. Outro dos meninos relatou que eles tentaram manter a calma e “pensar em soluções”.

resgate meninos Tailândia
Twitter @Gu_rebel
A palavra "esperança", em inglês, escrita no "formato" de um complexo de cavernas como o da Tailândia

Ekkapol prosseguiu: “Tentamos cavar. Achamos que não podíamos ficar esperando as autoridades”.

Eles usaram pedras para cavar um buraco de cerca cinco metros. Ele serviu como proteção, mas não chegou nem perto de começar a ser uma via de saída.

Apesar do esforço para manterem a calma, um dos garotos confessou que sentiu medo de “não voltar mais para casa”.

Não era para menos: eles estavam literalmente engolidos por uma montanha inóspita, a quilômetros da saída, cercados por água suja, no meio da escuridão que só era tenuemente rompida pelas suas lanternas (cujas baterias eles sabiam que acabariam), sem noção do tempo, sentindo fome, percebendo-se cada dia mais fracos, sem saber que medida tomar, sujos, molhados, dormindo assustados sobre rocha e terra, sentindo o calor abafado e respirando um ar cada vez mais carregado e com oxigênio cada vez mais rarefeito. O terror, mais do que o medo, dominaria facilmente a maioria das pessoas num contexto como esse.

Determinação

Mas os meninos estavam extraordinariamente determinados a sobreviver.

resgate meninos Tailândia
Twitter @Gu_rebel 2
"Estamos chegando em casa"

O técnico, ex-monge, ensinou técnicas de meditação para ajudar os meninos a usarem o mínimo de ar possível, pouparem as forças físicas e não perderem o autocontrole.


Ekapol Chanthawong

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Os jovens também contaram que perderam a noção do tempo dentro da caverna. Ao serem encontrados pelos mergulhadores britânicos, chegaram a lhes perguntar há quanto tempo estavam presos.

Alegria

O ponto da virada foi justamente o momento em que o grupo foi encontrado pelos mergulhadores britânicos John Volanthem e Rick Stanton, após nove dias de buscas.

resgate meninos Tailândia
Twitter Divulgação (Fair Use)

Quem se comunicou com os mergulhadores foi Adul Sam-on, de 14 anos, o único do time que fala inglês. Para Adul, foi “um milagre” terem sido encontrados: “Ficamos muito felizes!”.

No entanto, até mesmo esse episódio gerou um grande susto: “Foi um choque. O técnico pediu para mantermos a calma”.

Aprendizados e sonhos

Meninos Tailândia
Namwoon Chitchanok - Twitter @Namwoon_ccw

Os Javalis Selvagens falaram ainda sobre as lições da experiência na caverna.

Um dos menores afirmou: “Aprendido o valor de muitas coisas e a valorizar a mim mesmo”.

Outro se disse decidido a “viver cada minuto da vida”.

Por fim, um terceiro resumiu: “Eu vou ser mais forte”.

Entre os sonhos, a maioria afirmou que pretende jogar futebol profissional.

Um deles, porém, priorizou concluir os estudos.

Outro declarou que pretende seguir um caminho novo: ele quer entrar na Marinha tailandesa, que foi fundamental para o histórico resgate dos Javalis Selvagens.


Richard Harris

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