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A história é cíclica ou existe um progresso linear rumo ao auge?

SAMMY BILLON / ZEPPELIN
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“O cristão tem certeza de que a história avança; ora, avanço, progresso, exige o definitivo da direção – eis o que distingue o cristão do movimento em círculo, que não leva a meta nenhuma”

Existe um debate em torno da existência ou não de um progresso linear na História. Alguns defendem uma evolução cíclica, outros, porém, consideram haver uma progressão, um trajeto rumo a um auge, tais como Hegel, Fichte, Schelling, ou Spencer. Mistura-se muitas vezes esta ideia com um conceito de evolucionismo adaptado de Darwin e aplicado à sociologia e mesmo à História. Alguns visaram uma alternativa, como Marx e Engels no materialismo histórico. Segundo eles, a História não é um progresso linear e contínuo, uma sequência de causas e efeitos, mas um processo de transformações sociais determinadas pelas contradições entre os meios de produção (a forma da propriedade) e as forças produtivas (o trabalho, seus instrumentos, as técnicas).

Spengler, na sua obra sobre A Decadência do Ocidente, apresenta as civilizações “como ciclos cerrados, onde a experiência humana surge, desenvolve-se, atinge o apogeu, entra em crepúsculo, definha e morre“.

Nos nossos dias, estas perspectivas acabaram por fenecer e reconhecem-se pressupostos axiológicos geradores das civilizações, impossíveis de isolar, entre os quais se encontram as fontes espirituais. Ratzinger, na sua obra Introdução ao Cristianismo, defendia que na perspectiva cristã “existe uma única história completa do mundo, a qual mantém um rumo geral e vai ‘adiante’ com seus altos e baixos, nos progressos e regressos que a assinalem” (RATZINGER, Joseph. Introdução ao cristianismo. São Paulo: Herder, 1970. p. 154). Ele afirma:

“O cristão tem certeza de que a história avança; ora, avanço, progresso, exige o definitivo da direção – eis o que distingue o cristão do movimento em círculo, que não leva a meta nenhuma”.

Em 2006, já como Pontífice, ao comentar a passagem “todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele” (Col 1, 16), Bento XVI salientou que, com estas palavras, São Paulo “indica uma verdade muito importante: a história tem uma meta, tem uma direção. A história caminha para a humanidade unida em Cristo, vai assim para o homem perfeito, para o humanismo perfeito. Com outras palavras, São Paulo nos diz: sim, há um progresso na história. Há – se quisermos – uma evolução da história“.

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De artigo escrito pelo pe. José Victorino de Andrade, EP, em Gaudium Press

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