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Suicídio assistido por médicos já ultrapassa 1% das mortes no Canadá

DOCTOR SYRINGE
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Com exceção de um caso, a dose letal foi aplicada em todos os outros por um médico ou enfermeiro a pedido do paciente

Publicado no mês passado, o Quarto Relatório Provisório sobre Assistência Médica para Morrer no Canadá informa que, de janeiro a outubro de 2018, o número de suicídios assistidos no país totalizou 2.613. Trata-se de 1,12% das mortes no período – e são números parciais, pois quatro províncias não foram incluídas: Quebec, onde o sistema de relatórios é diferente, e os pouco densamente povoados Yukon, Nunavut e Territórios do Noroeste.

Em apenas um dos casos registrados o paciente injetou a droga letal em si mesmo; em todos os outros, a dose foi aplicada por um médico ou enfermeiro a pedido do paciente. É um cenário diferente do existente nos Estados norte-americanos que permitem práticas de suicídio assistido ou eutanásia: geralmente, eles exigem que o próprio paciente se aplique a droga mortal.

Algumas estatísticas

  • As mortes induzidas no período relatado ocorreram majoritariamente em hospitais ou na casa do paciente.
  • 5% foram em casas de repouso e 4% em hospícios.
  • A média de idade das pessoas que se submeteram ao suicídio assistido foi de 72 anos.
  • 7% dos pacientes estava na faixa etária de 18 a 55.
  • 60% das pessoas que solicitaram assistência médica para morrer tinham algum tipo de câncer; 16%, problemas circulatórios e/ou respiratórios; 11%, doenças neurodegenerativas como a esclerose lateral amiotrófica (ELA).

Igreja a favor da vida

Por ocasião da apresentação do projeto de lei em abril de 2016, o cardeal arcebispo de Toronto, dom Thomas Collins, ressaltou:

“Quando deveríamos priorizar uma cultura de amor e os recursos para quem está sofrendo e enfrentando a morte, o suicídio assistido nos leva para um caminho escuro. À primeira vista, pode parecer uma opção atraente, uma fuga rápida e misericordiosa do sofrimento, mas uma reflexão mais completa revela as implicações sombrias não só para o indivíduo, mas para a nossa sociedade e, especialmente, para os mais vulneráveis. Esta reflexão é muito necessária agora”.

Parlamento em rumo divergente

O parlamento canadense, no entanto, aprovou em junho de 2016 a legalização da eutanásia e do suicídio assistidos por médicos em todo o país.

Mais de 6.700 canadenses morreram desde então por uma dessas “modalidades”.

Marcha pela Vida

O relatório foi publicado poucos dias antes da 22ª Marcha Nacional pela Vida, agendada para 9 de maio em Ottawa, a capital canadense. A marcha, que tem edições nacionais em diversos países e em datas diferentes, promove a cultura da vida e apresenta alternativas ao suicídio, à eutanásia e ao aborto em todas as suas formas e contextos.

Ideologia no governo

O aborto foi legalizado no Canadá em 1969 pelo então primeiro-ministro Pierre Trudeau. Seu filho, Justin Trudeau, é o atual primeiro-ministro do país e segue uma agenda abertamente pró-aborto, pró-ideologia de gênero e pontuada por episódios de intolerância aos valores cristãos. Em 2018, seu governo tentou impedir as organizações pró-vida de receberem fundos do programa Canadian Summer Jobs. A clara discriminação ideológica, porém, foi derrotada por protestos da população.

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