Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Sábado 31 Julho |
Santo Inácio de Loyola
home iconAtualidade
line break icon

“1984” em 2020: os estarrecedores “créditos sociais” da China para controlar o povo

Sistema de créditos sociais da China

Captura de Tela / YouTube

Reportagem local - publicado em 28/04/20 - atualizado em 28/04/20

"Sorria: você está sendo filmado". E grampeado. E gravado. E seguido. E monitorado. E censurado. E perseguido. E, se não se sujeitar, punido.

O célebre romance distópico “1984“, do escritor britânico George Orwell, publicado em 1949, conta a história de uma tirania de alcance monstruoso, com onipresente vigilância governamental sobre todos os habitantes de um superestado submetido a um regime totalitário controlado pela elite do Partido Interno, que persegue a individualidade e a liberdade de expressão como “crime de pensamento”. O líder do Partido é chamado de Grande Irmão (“Big Brother“, em inglês): embora receba um culto doentio à personalidade, ele talvez nem exista, sendo apenas uma fachada por trás da qual está a elite que comanda o mundo com implacável controle de tudo e de todos. O Partido chefiado por essa elite não está interessado no bem dos outros, mas apenas e unicamente no próprio poder.

Têm sido cada vez mais frequentes as comparações entre este cenário distópico e a China real da nossa época, governada com igual mão de ferro pelo Partido Comunista Chinês, personificado num “Grande Irmão” amplamente cultuado à força de onipresente propaganda: o presidente vitalício Xi Jinping.

Na China de hoje, milhares (ou milhões) de câmeras de vigilância integradas a software de reconhecimento facial já conseguem identificar em milissegundos uma vasta parcela da população, registrando detalhadamente e em tempo real a locomoção e o comportamento dos cidadãos nos espaços públicos.

Os dados captados pelas câmeras são cruzados com centenas de informações pessoais registradas por uma fabulosa quantidade de outras fontes, que podem ir da conta bancária às catracas eletrônicas do transporte público, do prontuário médico aos registros acadêmicos, dos controles de performance profissional aos pagamentos de quaisquer compras em quaisquer estabelecimentos, passando, obviamente, pela infinidade de dados gerados pelo uso de smartphones: histórico de geolocalização, aplicativos instalados, registro de atividades, fotos e vídeos, lista de contatos e tipo de relação com cada um deles, mensagens enviadas e recebidas, conversas telefônicas mantidas com quem quer que seja, dados pessoais, familiares e profissionais…

Junto com tudo isso, toda a atividade nas redes sociais permitidas no país é varrida em pormenores pela vigilância do regime, que monitora com zelo particular as críticas ao sistema.

Essa gama extraordinária de informações pessoais se transforma em arma de imponderável poder de controle nas mãos do Partido Comunista Chinês.

O sistema de “crédito social”

De fato, o regime de Pequim já implantou na China um sistema de “crédito social” pelo qual os deslizes de qualquer indivíduo vão sendo “descontados” do seu “saldo”, de modo que, conforme a sua “qualificação” comportamental, um cidadão pode ser punido com multas, restrições a promoções no trabalho, negações de autorização de viagens, prisão e até obscuros “desaparecimentos repentinos”.

Uma apresentação impactante deste cenário pode ser conferida no documentário “The World According To Xi Jinping” (“O mundo segundo Xi Jinping“), produzido em 2019 por Arnaud Xainte, realizado por Louise Muller e com versão em português exibida pela RTP (Rádio e Televisão de Portugal). O documentário, que dura pouco mais de 50 minutos, pode ser encontrado em vários canais do YouTube.




Leia também:
China é acusada de oferecer dinheiro a quem denunciar igrejas cristãs




Leia também:
China: comunistas impõem troca de imagens numa igreja por fotos de Xi Jinping




Leia também:
Governo comunista da China decreta demolição de igrejas católicas “rebeldes”

Tags:
ditaduraIdeologiaMundoPolítica
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
1
SIMONE BILES
Cerith Gardiner
Simone Biles deixa as Olimpíadas com uma lição importante para to...
2
Ítalo Ferreira
Reportagem local
Ouro no surfe em Tóquio, Ítalo Ferreira rezou todos os dias às 3h...
3
Batizado de Davi Henrique, 6 anos
Reportagem local
Davi, de 6 anos, reclama do padre no batizado: “Tá sabendo ...
4
HIDILYN DIAZ
Cerith Gardiner
Olimpíadas: depois de ganhar o ouro, atleta exibe outra medalha e...
5
David Arias
Reportagem local
Ex-satanista mexicano retorna à Igreja e testemunha: “O ter...
6
Claudio de Castro
Como salvar nossas almas nos últimos minutos antes da morte
7
Pessoa idosa rezando o terço
Reportagem local
Brasil: carta de despedida de bisavó de 96 anos comove as redes s...
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia